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Raízes e Asas

Há quarenta anos morreu o pastor batista Dr. Martin Luther King, Jr. (1929 - 1968). Foi a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz em 1964, pouco antes de seu assassinato, reconhecido por sua incansável luta pelos direitos civis através de campanha da não violência e de amor para com o próximo. 

Certa ocasião um repórter perguntou à mãe de Martin Luther King: "Senhora Alberta, o que a senhora fez para criar um filho com tanta paixão pela vida, cheio de fé em Cristo, disposto a tantas lutas a favor dos direitos civis e que tem impactado tanto os Estados Unidos como o mundo?" Ela graciosamente olhou com profundidade nos olhos daquele jornalista e respondeu: "Muito simples: dei-lhe raízes e asas". 

Líderes com raízes reconhecem, em primeiro lugar, com gratidão, os líderes que os antecederam. Sabem que as raízes lançadas em suas experiências de conversão a Jesus, foram regadas pelos ministérios daqueles que os pastorearam, ensinaram e intercederam por eles. Raízes que foram aprofundadas pelos estudos da Palavra de Deus e os fazem resistir aos ventos de qualquer doutrina estranha ao verdadeiro evangelho. 

Líderes com asas avançam em novos caminhos, novos desafios e em trajetórias inesperadas e surpreendentes. Asas que os fazem chegar aos cansados e oprimidos para apresentar-lhes aquele que os aliviará. Asas que os fazem cortar céus para alcançar os perdidos. Asas que os levam à contemplação e adoração do Único que é digno. Asas que os conduzem aos profundos e misteriosos caminhos da intercessão. 

Líderes sem raízes deixam de trazer a glória somente ao Senhor, querendo roubá-la para si mesmos. Líderes sem raízes trazem confusão ao povo, enchendo-os de crendices, amuletos, superstições, criando falsas e inócuas obrigações. Líderes sem raízes perdem-se diante dos modismos, vãs filosofias, andando em círculos na busca de fórmulas prontas e mágicas. 

Líderes sem asas não saem do lugar, não ousam, não sonham. Tornam-se irrelevantes à geração que deveriam servir. Tendem a se fechar em torno de si mesmos e de seus poucos seguidores, esquecendo-se que foram "chamados para fora". Enxergam o mundo fora como ameaça, deixando de ver as muitas oportunidades ao Evangelho. Criticam acidamente todos os que crescem, tornando-se arrogantes, como que proprietários da verdade. 

Líderes com raízes e sem asas são tão profundos que chegam ao extremo de se enterrarem. Líderes com asas e sem raízes são tão elevados que se perdem na estratosfera de devaneios e fantasias. 

Se formos sinceros e verdadeiros, chegaremos à conclusão que todos precisamos aprofundar nossas raízes e ampliar a envergadura de nossas asas.

Artigo de Rodolfo Montosa
Publicado em: ago/set 2008
Veículo: Revista Igreja (Número 17, pág 10)