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Manipulação Impressionista: agradar pessoas!

Entrevista com Rafael Favil Santos
Publicado em 22.11.2016

Você está num jantar em sua homenagem, pois está se aposentando. Chega o momento dos discursos obrigatórios: O que as pessoas dirão? O que ficará registrado como significativo a seu respeito? O que será, na opinião de alguns, o que realmente importou do quanto você deu de si durante todos os anos que se passaram? Vão destacar suas realizações? Suas habilidades? Sua ética no trabalho? Sua personalidade? O que há de sobressair quando as pessoas refletirem a respeito do trabalho em função do qual você viveu? Mas e o que Jesus falaria?  

Muitos cristãos desavisados simplesmente ainda não se deram conta de que Deus quer ser o centro de tudo o que fazemos no trabalho. O medo de ser perseguido por optar em agradar a Deus leva muitos a procurar agradar aos homens e fazer coisas como concordar com as pessoas apesar de não concordar realmente com elas, fazer favores a pessoas importantes que vão muito além do que gostaríamos de fazer por elas, sutilmente elogiar pessoas, sorrir mesmo quando não sentimos vontade, usar falsa modéstia. Ao fazer isso, usar a manipulação impressionista, ganha-se amigos e escapa-se de algumas das consequências sociais por ser diferente. 

Entrevistamos sobre o assunto Rafael Favil Santos graduado em Relações Públicas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Teologia pela UNIFIL (Londrina). Especialista em Gestão de Recursos Humanos (UEL). Possui Formação Técnica em Teatro pela Escola Municipal de Londrina e MBA em Gestão de Projetos (PMI) pelo Senai / SC. Possui 15 anos de experiência em Gestão de Recursos Humanos em médias e grandes empresas na Região de Londrina - Paraná. É Consultor Autorizado do Inventário Vocacional / Ocupacional Norte Americano Career Direct® Global Edition e Personality® I.D., Consultor Autorizado DISC ETALENT® . Business and Executive Coaching e Professional and Self Coaching certificado pelo Instituto Brasileiro de Coaching com capacitação em Behavioral Analyst pelo mesmo instituto. É Pastor da Igreja Nova Aliança de João Pessoa - PB.

 

Rafael Favil Santos

Instituto Jetro -  Zigarelli fala em seu livro: "Fé no trabalho" sobre a "manipulação impressionista", ou seja, os comportamentos que indivíduos adotam a fim de proteger sua autoimagem e influenciar a forma como são vistos por pessoas importantes. (Pessoas que procuram agradar outras acima de tudo). Algumas pessoas tentam influenciar (1) o quanto as pessoas gostam delas, e (2) a percepção que elas têm de que são como elas. Você acredita que os pastores e líderes são mais "tentados" a usar da manipulação impressionista?

Rafael - Acredito que todos somos! Independente de ser Líder ou Liderado, a manipulação impressionista é algo que identificamos no comportamento das mais variadas pessoas e posições que compõem uma organização. Desde membros, funcionários, empresários e pastores. No caso de Líderes e Pastores, esses devem estar mais atentos a si e aos demais para imediata identificação, tanto em suas atitudes como nas atitudes daqueles que possui relacionamento. E o que provoca esse desejo e até adoção da manipulação impressionista são diferentes fatores como: medo de rejeição e necessidade de aprovação, camuflagem de rupturas no caráter, indisposição para o confronto e fuga da verdade. Por isso, todos somos tentados, agora como Líderes, devemos ter autoconhecimento para saber se não estamos sendo precursores de ações desse tipo em nossas organizações e a partir desse autoconhecimento e até mesmo de tratamento em nossas vidas quanto a esse aspecto, ter maior autoridade, liberdade e percepção para identificar esse comportamento em nossos liderados.

Instituto Jetro - Quando o preocupar-se demais com a maneira como as pessoas te vêm se torna um problema? (Romanos 12: 2)

Rafael - Devemos realmente nos preocupar com a maneira como as pessoas nos vêm. Pois isso tem relação com respeito às pessoas, cuidado pessoal e demonstra se estamos construindo pontes ou muros em nossos relacionamentos. Porém quando isso passa a ser o que nos move e por esse motivo, passamos a manipular nossas ações dependendo de quem está por perto, precisamos de ajuda quanto a isso. Pois, a nossa integridade é afetada e consequentemente o nosso testemunho como Cristão. Por não reconhecer e atuar, com ajuda, sobre esse aspecto, vemos pessoas agindo de modo diferente conforme as pessoas ao redor. E não estamos falando de apenas de um comportamento diferente por ser um ambiente diferente. Como um comportamento em uma festa e o comportamento em um funeral. Estamos falando de posturas sustentadas conforme a presença de outras pessoas com o objetivo de manipular uma impressão. E pessoas assim, passam a ser refém de mentiras. Assim, além de problemas em suas vidas e relações sociais, passar a viver em pecado.

Instituto Jetro - Desejamos ser amados, aceitos e valorizados pelas pessoas no ambiente do trabalho. Mas, têm pessoas que ficam incomodadas com aqueles que não falam muito com elas. Irritadas, com aqueles que nunca lhes convidam para passeios e confraternizações. Frustradas, ao fazer um bom trabalho e na vitória não receber os parabéns de TODOS da organização. Como lidar com essas emoções?

Rafael - Somos diferentes e essa é a expressão da vontade de Deus sobre nossas vidas e da Sua infinita criatividade. Num ambiente com 20 pessoas, teremos 20 personalidades. Assim, alguns falam mais, outros menos. Uns são mais vibrantes outros nem tanto. Alguns precisam de maior reconhecimento das pessoas, outros se satisfazem por si só, uma vez que a atividade foi concluída. O fato de nem todos reconhecer ou elogiar uma atividade ou projeto, não significa que não estão satisfeitos ou que não valorizam o que foi feito. Apenas as reações são distintas. O que tem relação direta com o Perfil

Comportamental de cada pessoa. Nem todos atletas chegam as lágrimas após uma conquista ou derrota. Nem todos os profissionais ficam agitados diante da pressão. Nem todos falarão que nos ama! Mas olhares indicarão esse afeto. Semblantes tranquilos e serenos são evidências. Admiração, valorização e reconhecimento são expressos das mais variadas maneiras. O nosso papel é estar atento a essas manifestações, em nossa rotina, das pessoas que interagem conosco. Alguns vão falar "Você é demais!", outros vão sorrir, talvez alguns apenas acenem com um leve movimento da cabeça, de forma positiva. Agora se fizermos as coisas, como sendo para Deus, podemos ter certeza, de que os olhos Dele estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons.

Instituto Jetro - Paulo é um exemplo de homem que não aceitou agradar a homens antes porém, quis honrar Deus acima de tudo e, por isso, foi perseguido, preso e espancado. Quais as lições que podemos tirar da sua decisão (2 Tm 3:12 e Rm 5:3,4) Poderia falar mais sobre isso?

Rafael - Paulo nos ensina isso, e de fato, a tribulação produz em nós um caráter aprovado. E um caráter aprovado nos dá autoridade para decidir, agir, escolher conforme Deus deseja. E não apenas como o homem deseja. A partir de escolhas que agradem a Deus, por meio de um caráter aprovado, Ele jamais permitirá que sejamos envergonhados. Se decidimos agir, segundo a vontade de Deus, que não necessariamente coincide com a vontade de homens, Ele nos honrará. Isso pode ser sobre um projeto, ação ou opinião. Mas isso é fruto de uma vida de intimidade com Deus e um caráter totalmente submetido a Ele.

Agradar a Deus e não aos homens, jamais deve ser um argumento para atitudes egoístas, ações equivocadas, incoerentes com a Palavra de Deus e para movimentos de rebeldia. O Espírito Santo nos direciona a agir em concordância com a vontade de Deus, ainda que não seja a vontade dos homens, de maneira que se isso for apenas nossa vontade, nós seremos os primeiros a recuar, voltar ao estado anterior ou pedir perdão, caso já tenhamos tomado alguma atitudes por nossa própria opinião.

Instituto Jetro - Vemos o líder Arão que sucumbiu à voz do povo e fez um bezerro de ouro em Êxodo 32:24. Quais os cuidados para não cair nessa armadilha na liderança e dizer não, assim como Paulo fez em Gálatas 1:10?

Rafael - O famoso e reconhecido Líder e Técnico de Voleibol Bernardinho nos ajuda nessa compreensão, de maneira objetiva, ao afirmar que "O Líder faz aquilo que é certo e não aquilo que é conveniente". O que é o certo a ser feito? A resposta a essa pergunta é a ação a ser efetuada pelo Líder. As tentações virão, e com ela sentimentos de medo, paixão, euforia, desconfiança. O Líder deve orar e buscar em Deus a substituição desses sentimentos pela vontade de Deus. E sustentar essa posição, uma vez que a vontade de Deus está clara! Não é fácil, mas é papel do Líder. E para agir com assertividade, o Líder deve desenvolver a autodisciplina para buscar a vontade de Deus, por meio da oração, leitura da Palavra e jejum. Deve desenvolver o amor de Jesus Cristo pelas pessoas e não permitir que crises e más notícias diminuam ou retirem o amor de Cristo de seus corações. E o temor a Deus em suas ações e palavras deve ser a base para que possa agradar a Deus, ainda que envolva, dizer não a pessoas! Por mais queridas, próximas e relevantes que sejam em nossas vidas.

Instituto Jetro - A manipulação impressionista pode ser uma arma poderosa para qualquer um que estiver buscando crescimento fácil. Mas e aqueles que decidem não agradar aos homens ao invés de Deus? Quais os conselhos para se manterem firmes? A saída é o Mateus 5?

Rafael - Essa é a ênfase de Michael Zigarelli em seu livro Fé no Trabalho. O autor usa os ensinamentos do Sermão do Monte para apontar princípios que estabelecem a atitude cristã e os aplica no dia-a-dia, mostrando que o bom testemunho profissional é resultado de uma vida espiritual fundamentada. As nossas ações em nosso ambiente de trabalho, em meio a nossa família, amigos e ministério, é resultado de nossa vida com Deus nos bastidores. O que vivemos em público é apenas consequência do que vivemos no lugar secreto. No lugar onde encontramos a Deus diariamente e expressamos a Ele nossas aflições, angústias, sonhos, aspirações, desafios, alegrias e frustrações.

Ao esvaziar o nosso fardo em Sua Presença, podemos avançar para novas e difíceis decisões. Ao abrir nossos corações ao Nosso Deus, recebemos ânimo para continuar e perseverar na difícil tarefa de ser luz em meio às trevas. Ao submeter nossas vidas à Palavra de Deus e seus princípios, colhemos o compromisso de Deus com a Sua Palavra! E nossa vida torna-se um motivo de honra ao Senhor, o qual temos o dever e compromisso de manter em dia. A função que o Senhor tem nos confiado nesses dias, tem relação direta com o nosso chamado. E a visão que temos dessa função, alinha nossas ações e decisões com a vontade soberana de Deus para nossas vidas. E assim cumprimos o nosso chamado, com alegria e vitória!

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Título do artigo: Manipulação Impressionista: agradar pessoas!
Autor: Rafael Favil Santos


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