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A gestão das finanças da Igreja


A eficiente administraçao de recursos financeiros da Igreja deve englobar a busca pela transparência e relevância em suas atividades, esta é a advertência do pastor, empresário e diretor do Instituto Jetro, Rodolfo Montosa. Outra prioridade destacada, é o investimento em recursos humanos, nas obras sociais e em missões.
Confira abaixo  a entrevista na íntegra, concedida ao Jornal Nosso Tempo, edição de janeiro 2013.

Foto de Rodolfo MontosaJORNAL - Quais são os maiores desafios na hora de fazer o planejamento orçamentário da igreja? Como otimizar recursos?
Rodolfo -
Sob o ponto de vista estratégico, tudo nasce da busca de uma clara visão dos alvos e objetivos da igreja local. Quando estava circulando entre várias igrejas como consultor do Instituto Jetro costumava dizer: "deixe-me ver as finanças de sua igreja que direi qual é sua visão." Na prática, por exemplo, temos muitas igrejas concentrando muitos recursos em imóveis e poucos recursos em pessoas. Os recursos aplicados para treinamento e capacitação da liderança e de todo o povo, por exemplo, são muito baixos. Outro vício comum é ter um orçamento voltado somente para dentro (igreja local), esquecendo-se de destacar parte para fora (missões). Poucas também envolvem-se com projetos sociais realmente transformadores e relevantes. Em geral, as pessoas sentem-se motivadas pela transparência (prestação de contas, sem misturar recursos da Igreja com dos pastores) e pela relevância (projetos importantes para a comunidade, como projetos sociais).

Sob o ponto de vista técnico, é necessário um plano de contas adequado, com uma boa  abertura de contas que permita visualizar para onde o recurso vai com clareza. Além disso, os balancetes mensais devem fechar até o dia 15 do mês subsequente. Deve-se buscar tudo aquilo que a lei permite (ex. isenção de IPTU para prédios religiosos disponível em muitas cidades) e respeitar tudo o que ela exige (ex. pagamento de INSS). Ter pessoas capacitadas para a elaboração do orçamento - habilitadas em contabilidade e com bom domínio de informática - também é fundamental, desde que tenham o coração na obra do Senhor.

JORNAL - E no caso da igreja que não tem departamento organizado para essa função? Quais são os primeiros passos que deve dar e que caminhos precisa percorrer para se estruturar e atender tanto aos requisitos legais quanto administrativos locais?
Rodolfo -
Desconheço igreja que tenham um departamento dedicado para orçamentação, pois os recursos não justificariam. Em geral é a mesma equipe que já trabalha com a parte financeira/administrativa supervisionada pelo pastor. Eles estão habituados com os números. Algumas igrejas terceirizam com escritórios de contabilidade que poderiam ajudar também.

O orçamento pode ser dividido em três grandes blocos: (1) receitas (dízimos, ofertas alçadas, ofertas missionárias, campanhas, etc.); (2) despesas (pessoal, infra-estrutura, etc. etc.); (3) investimentos (reformas, construções, equipamentos etc.). Deve-se ter um bom domínio de cada uma das rubricas que compõem a contabilidade.

A orçamentação é uma atividade para o melhor gerenciamento da vida da igreja e não uma obrigação da legislação.

JORNAL - Qual é a forma correta de fazer investimentos e prestação de contas na igreja?
Rodolfo - Investimentos
devem ser feitos alinhados com a visão e os objetivos que se pretendem. A prestação de contas pode ser feita com a nomeação de um grupo de irmãos para acompanharem mensalmente as contas (Conselho Fiscal) e um relatório anual para toda a igreja.

JORNAL - Quais são as maiores dificuldades e erros dos pastores na gestão de recursos financeiros da igreja? Como ser um gestor (se o pastor deve ser um) e também um líder espiritual?
Rodolfo -
A liderança espiritual abrange as finanças à medida que as finanças retratam os princípios e prioridades de uma pessoa, família, igreja, empresa ou país. Por isso, os pastores devem, sim, ter domínio dos rumos financeiros de sua igreja. Não é necessário ser técnico (ou gestor) para isso. É uma questão de bom senso. Muitos sentem-se incapacitados para esses assuntos. Meu conselho é que se cerquem de pessoas capazes e fiéis. 

JORNAL - A Igreja é omissa em ensinar sobre planejamento e investimento aos seus membros? Como a Bíblia nos ensina sobre finanças? Administrar o dinheiro também é um empreendimento espiritual?
Rodolfo - Curiosamente, os rabinos ao longo da vida do povo judeu foram mestres na área de finanças também. A Bíblia tem quase 4 mil versículos sobre dinheiro, querendo dizer que faz parte da vida integral de uma pessoa. Isso significa que todos precisam receber habilitação nesse assunto. Tenho visto muitas igreja promoverem seminários e cursos sobre finanças. Isso é muito bom para melhorar a qualidade de vida do povo de Deus.

JORNAL - Como despertar a Igreja para a necessidade de investimento no Reino (missões, obras sociais etc)?
Rodolfo -
O despertamento vem naturalmente com o ensino da Palavra de Deus. As pessoas respondem porque são tocadas pelo Espírito do Senhor. Testemunhos verdadeiros certamente contribuirão muito para isso.

JORNAL - Como fazer a prestação de contas do que é investido em missões e requerer esse feedback dos missionários? Qual é a importância desse trabalho integrado?
Rodolfo -
A melhor prestação de contas é o relato testemunhal dos missionários. Desde os tempos do NT isso era feito de maneira pessoal ou através das epístolas. Hoje podemos adicionar a internet, as redes sociais etc. Isso é muito importante para quem dá e também para quem recebe.

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