Entrevistas

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A importância dos Conselhos

 


Rodolfo Montosa, diretor do Instituto Jetro, faz parte do Conselho consultivo de três diferentes organizações cristãs. Em uma época de escândalos e crises de valores até mesmo dentro e por meio das organizações evangélicas e de seus líderes, vale ressaltar o papel dos Conselhos para a garantia de uma boa Governança.

foto de Pr. Rodolfo MontosaO que seria um Conselho no contexto de organizações sem fins lucrativos, como igrejas e ministérios, e qual a sua função? 
Rodolfo - Um Conselho, como o nome diz, não é quem executa. Ele dá diretrizes a alguém ou uma equipe que será responsável pela execução. Assim, também é de sua responsabilidade nomear tal pessoa ou equipe. Além de nomear e dar diretrizes, responsabiliza-se em oferecer as condições para o desevolvimento dos trabalhos necessários. Também acompanha se as diretrizes estão sendo seguidas através da tomada de contas da referida pessoa ou equipe. Com isso, assegura que a visão seja preservada e que os resultados pretendidos sejam atingidos. 

 

Quais são os impactos, positivos e negativos, da existência de um Conselho nesses contextos? 
Rodolfo -
 Poucos são os Conselhos que realmente desempenham o papel brevemente descrito na pergunta anterior. A tendência observada na realidade é que muitos deles tornam-se burocráticos, mais executivos ao invés de órgãos de supervisão, às vezes muito centralizadores e controladores, tornando-se pesos a quem realmente é responsável pela execução. Aqueles que entendem bem sua função e cumprem seu papel agregam grande valor à organização, oferecem segurança à pessoa ou equipe executora, asseguram a manutenção dos valores e princípios professados e alavancam na direção do atingimento dos resultados desejados.

Qual a base bíblica para a existência de um Conselho?
Rodolfo - Não existe propriamente um mandamento para tal prática. A Bíblia está recheada de textos e exemplos que indicam que o Conselho é um princípio desejável para uma boa Governança. No Antigo Testamento esse papel foi exercido por muitos profetas. No Novo Testamento temos como exemplo o Apóstolo Paulo e outros líderes exercendo na prática esse papel de Conselho sobre diversos pastores das igreja nas várias cidades. O livro de Provérbios dá várias referências sobre a importância dos conselhos em termos gerais. A prestação de contas é outro princípio bíblico que rege essa prática da existência de Conselhos separadamente de quem executa. Enfim, podemos pensar sob vários ângulos com a´Bíblia em mãos para deixar que Deus nos ministre em como os Conselhos podem ser uma benção na vida da organizações.

Que tipo de estrutura envolve um Conselho - suas normas, regimento, etc.? 
Rodolfo - Os Conselhos devem ser regidos em consonância com o Estatuto na organização. Sua competência e limitações, seus direitos e responsabilidades, assim como a dinâmica de seu funcionamento, prazos de mandato etc. devem estar previstos nos documentos que regem a organização. Contudo, nada disso assegura sua eficácia, a não ser que seja preenchido por pessoas tementes a Deus, conscientes de seu papel, capacitadas pelo Espírito Santo para tal função.

De forma geral, qual seria a qualificação necessária a um bom Conselheiro?
Rodolfo - Um bom Conselheiro deve ser uma pessoa experiente na fé e nos assuntos da vida, de comprovada vida cristã, irrepreensível; se casado, deve ter somente um cônjuge, habilitado a dar as razões de sua fé, conhecedor da Palavra de Deus, de bom testemunho interno e externo à organização. Deve estar comprometido profundamente com as finalidades da organização. Seu comprometimento financeiro como provedor da organização também deve ser expresso. Enfim, isso é o que me ocorre de bate-pronto.

Você participa do Conselho de 3 ministérios cristãos diferentes. Esta experiência lhe permitiu observar erros que não podem ser cometidos pelas organizações? 
Rodolfo -
 Com certeza. Percebo que existem níveis diferentes de maturidade das organizações e dos conselheiros. À medida que a dinâmica das reuniões e encontros diversos vai sendo bem conduzida, os Conselhos podem crescer e agregar grande valor à organização. Espaçamentos muito longos em encontros podem afetar em muito sua eficácia. Uma boa preparação da reunião é fundamental para o êxito: elaboração da pauta, preparação dos assuntos, envolvimento da equipe da organização etc. são práticas desejáveis para um bom andamento do processo.

Quais os primeiros passos para o estabelecimento de um Conselho no contexto de um ministério ou igreja?
Rodolfo - Em primeiro lugar, a organização, seja ela uma igreja local, nacional ou um ministério, deve entender qual o real papel de um Conselho. Isso exigirá muita determinação do(s) lídere(s), pois eles deverão ter grande disposição em abrirem as informações e se submeterem a responder questionamentos de diversos níveis. Aqui temos um grande limitador, pois poucos são os líderes que estão dispostos a prestar contas. Uma vez vencido isso, a escolha dos nomes é fundamental: experiência, temor a Deus e confiança são características que devem ser conciliadas nessas pessoas. É fundamental que exista uma boa química no relacionamento entre a equipe de executores, o Conselho e internamente ao Conselho. Aí, é começar e esperar resultados no longo prazo. A criação de um Conselho exigirá muita determinação e perseverança de todos os envolvidos. Mas asseguro, baseado na experiência que tenho vivido e na literatura abundante sobre o assunto, que vale a pena!

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