Entrevistas

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O Resgate da Paternidade


Não se precisa esperar um grito, uma dor, ou uma perda para, desesperadamente, agir ou ir em direção a um filho. Precisa-se compreender que, infelizmente, o que passou não volta. É passado! O que irá acontecer não se tem como saber, pois é futuro. Porém Deus propicia o "Hoje", o "presente", onde se tem a oportunidade de corrigir os erros cometidos para construir relações saudáveis que serão futuramente desfrutadas.

Mário Sérgio Lambert Soares escreveu o livro "O Resgate da Paternidade" com a missão de abrir os olhos e mostrar o mapa para libertação, proteção e restauração do papel da paternidade para a benção das famílias e da sociedade. Pois não há resgate da sociedade, sem resgate das famílias. E não há resgate das famílias, sem resgate da paternidade. Mário Sérgio é especialista em Desenvolvimento e Orientação à Família, Terapeuta de Casal e Família atuando com família há 14 anos na Primeira Igreja Independente de Londrina- Paraná. É graduado em Odontologia. 

Mário Sérgio Lambert SoaresInstituto Jetro - Por que o nome do livro "O Resgate da paternidade"? 
Mário Sérgio -  Entendo que hoje a Paternidade, o papel do pai, tem sido muitas vezes roubada, outras vezes perdida dentro do âmbito familiar, e quando perdemos algo que é precioso e importante para nós, isso precisa ser recuperado, trazido de volta, para o seu verdadeiro lugar, ou seja, é preciso resgatar, para não ser perdido definitivamente.

Instituto Jetro - Quais os maiores desafios de ser pai hoje? 
Mário Sérgio -  Ser pai, por si só já é um desafio, mas percebo que hoje, muitos homens que são pais não tem isso como uma das prioridades de sua vida, pensam mais em si e em satisfazer seus desejos, do que prover as reais necessidades de seus filhos. Assim para muitos vencer o egoísmo é um dos maiores desafios. Outro desafio que vejo, é que muitos pais, estão querendo ou interessados mais em ser amigos dos filhos do que serem pais. Precisamos entender que se exercermos a paternidade assertivamente, sendo amorosos, presentes, provedores e sabendo colocar limites, seremos pais que têm o respeito e conquistaremos a amizade deles.Contudo se procurarmos apenas a amizade, corremos um sério risco que nossos filhos não nos vejam como pais. Aí poderemos ter dificuldades na relação.                                                                                                                                                                

Instituto Jetro -  Vivemos dias de pais ausentes ou pais superprotetores?
Mário Sérgio -
 Creio que nos dias de hoje, temos a figura dos dois pais, tanto o ausente como o superprotetor, e ambos são prejudiciais aos filhos. O ausente por não participar de uma maneira efetiva da vida do filho, não participando de momentos importantes e fazendo com que o filho não venha a ter um referencial da figura masculina. O superprotetor, por não permitir que o filho desenvolva sua autonomia e principalmente, na maioria das vezes, não permitindo que o filho venha a conhecer a frustração, o que promoverá danos no seu desenvolvimento e também na vida adulta.

Instituto Jetro - Por que o relacionamento de pais e filhos é mais desafiador na adolescência?
Mário Sérgio -
 A adolescência é uma fase de descobertas. É preciso entender que muitas transformações estão ocorrendo, a puberdade se apresenta, acontecendo alterações fisiológicas e hormonais que refletem no corpo e na mente deles, causando medo, incertezas, comportamentos de risco. Enfim, uma mudança brusca ocorre. Neste momento é preciso que os pais tenham maturidade, sejam benevolentes, saibam usar da sua autoridade em amor, mas principalmente tenham e exerçam compaixão com seus filhos, creio que isso poderá fazer toda a diferença neste relacionamento.

Instituto Jetro - Poderia falar sobre a influência do relacionamento entre pai e mãe na vida dos filhos?
Mário Sérgio - 
 A relação entre pai e mãe é o primeiro modelo de relacionamento apresentado a uma criança, ou a um filho. Quando esse relacionamento é tenso, desrespeitoso, sem demonstrações de afeto e ainda, existe agressão verbal ou física, provavelmente desenvolverá no filho: insegurança,ansiedade, irritação, desânimo, apatia, agressividade, entre outros. Todavia, quando no relacionamento entre os pais existir harmonia, respeito, amor, diálogo saudável e principalmente, capacidade em resolver conflitos, teremos uma chance muito maior em termos filhos emocionalmente saudáveis.

Instituto Jetro - Alguns pais estão tão focados em saciar as necessidades físicas dos filhos que acabam negligenciando as emocionais e espirituais. Poderia falar um pouco dessas necessidades?
Mário Sérgio - 
Creio que suprir as necessidades físicas dos filhos é muito importante e devemos fazê-lo, porém segundo a nossa Constituição Federal em seu artigo 228, isso nada mais é que um dever. Em hipótese alguma, o pai pode abster-se de prover as necessidades emocionais e espirituais do filho. O filho(a), necessita de afeto, de confiança, de ser valorizado, de sentir e ouvir que é amado pelo pai, de poder exteriorizar suas alegrias e tristezas para o pai, seus sonhos e temores, cabendo ao pai o encorajar, o apoiar, o animar, o consolar e até o repreender, isso suprirá as emoções do filho. Todo filho necessita ser provido espiritualmente, é preciso que cada pai, leia e principalmente aplique, o que Dt 6: 1 a 9 nos ensina: "o pai que tem o Senhor no coração e guarda os seus mandamentos, precisa falar, ensinar, ser modelo e testemunhar dia a dia, sobre o Senhor na vida de seus filhos", só assim eles serão supridos espiritualmente.

Instituto Jetro - O que podemos aprender com o silêncio de um pai para uma injustiça? (II Samuel 13:15)
Mário Sérgio -
  O que aprendemos nesta passagem, é que o silêncio para essa injustiça produziu uma nova injustiça, trágica e com danos irreparáveis. 

Instituto Jetro -   Como apresentar limites aos filhos?
Mário Sérgio -  
Como falo no livro, acredito que limite precisa ser ensinado e vivenciado sendo o pai exemplo a todo instante. Quando apresentamos desta forma, e mesmo assim o filho infringir ou desrespeitar, aí precisamos discipliná-los que nada mais é que corrigi-los, sendo validados nisso pela Palavra. A medida que apresentarmos os limites aos filhos, estaremos ensinado-os a lidarem com a frustração, como já citei anteriormente, nossos filhos precisam se frustrarem, para que venham a se tornar pessoas saudáveis em suas emoções.

Instituto Jetro -  Quais os seus conselhos para os pais? 
Meu conselho aos pais, cristãos, é que submetam-se ao seu Pai Celeste, obedeçam os princípios e valores que Cristo nos deixou, e tenham o entendimento que os filhos são herança do Senhor nas nossas vidas, e que além de uma honra e um privilégio, temos uma missão de conduzi-los e orientá-los na suas vidas. 

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com 

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