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Liderança Geral

Cinco achismos que o líder deve evitar


Cresci ouvindo o dito popular “dar murro em ponta de faca”, e ao imaginar a situação, pensava o quanto isso seria impossível! Com o passar do tempo, entendi que se referia a alguém que não está agindo com bom senso diante de um problema, mas insiste na mesma atitude. Por isso, listei cinco “achismos” nos quais as ações do líder podem estar fundamentadas, mesmo que inconsciente, e podem ser a causa de ele “dar murro em ponta de faca”.

1. Achar que suas ambições particulares devem nortear suas ações.
Ninguém gosta de ser usado, e, se assim ocorre, cedo ou tarde, quem está sendo usado, perceberá isto. Nestas circunstâncias, é possível que o que foi projetado à pessoa não vá adiante.  A equipe não é somente o meio para que o líder alcance a visão proposta, mas, de certo modo, também é o fim. Dentro das “ambições” do líder, ele deve ter como alvo desenvolver seu grupo, promover seu crescimento e favorece-lo a benefícios e créditos advindo do trabalho. Jesus nos exemplifica bem essa ideia: gastou os três anos de seu ministério desenvolvendo seus discípulos; também disse que os que cressem nele fariam obras maiores (Jo 14.12); prometeu uma morada no céu (Jo 14.2).

2. Achar que sua equipe já sabe o que você espera dela.
Um técnico de futebol não vai pôr numa partida o jogador que está na reserva, sem antes ter uma boa conversa com ele, explicando-lhe as estratégias e a função que lhe caberá em campo. O apóstolo Paulo, ao exercer sua liderança em relação à Timóteo, expressou de forma clara o que esperava dele  (I Tm 4.13 – 16). Comunicar de modo claro o que você espera de seus liderados direciona e alinha o trabalho do grupo à visão, como também pode evitar problemas à frente, tanto de você se frustrar, quanto da pessoa, porque o trabalho não deu certo.

3. Achar que o resultado do trabalho ocorrerá por si só.
Já ouvi inúmeras reclamações de pastores e líderes de ministérios sobre a falta de resultados: “o povo dessa cidade é duro”; “o pessoal da igreja é bem difícil de trabalhar”. Sabemos que circunstâncias como essas existem. O problema é quando ouvimos coisas do tipo, sendo que o trabalho não está ocorrendo. O apóstolo Tiago nos diz que a fé sem obras é morta (Tg 2.17), portanto, nossa fé em alcançar os possíveis resultados espirituais deve agregar ações, tais como: o planejamento de discipulados, de programações, de treinamentos de liderança, de retiros, de reuniões etc. Desse modo, o líder pode esperar algum resultado no futuro, mesmo que no momento ele não veja, porque o trabalho está sendo feito.

4. Achar que tudo deve estar de acordo com a sua percepção ou vontade.
O ponto chave aqui é de que o alvo do líder não é de ter “todos os detalhes” do ministério à sua maneira, haja vista ele trabalhar com pessoas diferentes dele. Muitas vezes, uma pessoa terá de abrir mão de suas próprias vontades, pelo seu cônjuge, e nem por isso deixará de experimentar vitórias e alegrias. O “tiro certeiro” do líder é direcionar sua equipe à visão; portanto, maneiras não exatamente iguais a sua percepção e gostos, de como se está fazendo o trabalho, podem ser benéficas, demonstrando amadurecimento e autonomia do grupo. Além do mais, se o líder tem uma perspectiva correta, sabe que sua vontade não é o centro de tudo: “Pai nosso (...) seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mateus 6.9, 10).

5. Achar que todas as tarefas importantes devem ser feitas pelo líder.
Em textos sobre administração do tempo, é comum a orientação de que devemos delegar tarefas de menor importância. Também concordo que isto seja necessário. Porém, o ponto central aqui é “todas as tarefas importantes”. Há líderes que acham necessário estar à frente de todas as tarefas importantes, mesmo que isto lhe custe tempo de qualidade em outras áreas. Se uma das “ambições” do líder é a de desenvolver pessoas, por que não, por exemplo, um pastor deixar de se envolver tanto com questões patrimoniais de sua igreja? Ele poderia delegar esta função a um membro da liderança de sua igreja ou a um pastor auxiliar, caso haja. Neste caso, aquele pastor abriria mão de reuniões e de decisões relacionadas a esta questão, cabendo-lhe apenas a supervisão. 

Como líderes, não precisamos sofrer o tempo todo ao “dar murro em ponta de faca”. Precisamos desenvolver o bom senso ao buscar entendimento em que ponto as coisas não estão dando certo. A insistência, portanto, dever ser a de aprender, corrigir, ajustar e tocar em frente o ministério.      

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com.

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