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Tecnologia e Informática

Construindo comunidades virtuais


A globalização é real. A necessidade de aprimorar a comunicação das empresas - e porque não dizer, das igrejas - também é. A Internet é um campo imenso, com muito ainda para ser explorado e usado a favor daqueles que se rendem aos seus serviços. Mais do que entretenimento, ela pode significar negócios, relacionamento, crescimento profissional e para nós, cristãos evangélicos, além de tudo isso, crescimento espiritual, aquisição de conhecimento e canal de evangelismo e expansão. Para isso, porém, é necessário desvendar seus segredos.

A seguir você verá algumas dicas para construir comunidades virtuais eficientes extraídas do artigo Building online communitie, escrito pelo editor técnico da O`Reilly Network. Pode ser um bom manual para a construção de um projeto que inclua sua igreja ou empresa nesse extenso mundo virtual. Note que a proposta é criar não apenas um "site", mas uma verdadeira comunidade, com relacionamento e interatividade eficazes. Isto porque sites estáticos tendem a perder pontos quando o assunto é sobrevivência - e sucesso - entre os mais 300 milhões de internautas espalhados pelo mundo.

"Antes de começar a construir sua comunidade, você deve entender como elas funcionam. Eu já participei de várias e ocupei os mais diversos papéis, de usuário iniciante a veterano, de observador a administrador, de empregado a dono. E em todas as ocasiões eu me surpreendi com a dinâmica do relacionamento entre pessoas no espaço virtual", diz o autor do artigo. E ele chegou às seguintes ponderações:

Um motivo para existir. Antes de arregaçar as mangas, você deve saber porque o seu site existe. Se não, como medir a eficiência de suas ações? Ou, o que é ainda pior, como os visitantes saberão se querem pertencer à comunidade? Quais os benefícios que o participante terá? Por que alguém se interessaria por sua iniciativa? Sem a existência de uma diretriz, é difícil guiar usuários num sentido construtivo para que eles agreguem valor à comunidade. Agir assim seria como abrir uma empresa sem pensar que devem existir clientes para pagar pelo serviço. Uma vez que você definiu uma diretriz, seja fiel a ela.

Usuários atraem outros usuários. Como dono, líder, e/ou divulgador da comunidade, sua tarefa é atrair usuários. As formas corriqueiras de promoção (ferramentas de busca, boca a boca, links para outros sites) são válidas. Mas esta é a parte fácil do trabalho. Assegurar-se que as pessoas certas visitem e gostem da comunidade é mais difícil. Mas este não deverá ser um problema seu numa comunidade saudável. Dentro de um grupo, os usuários mais ativos conseguem atrair mais participantes do que você. Um grupo ativo exala um senso de ajuda mútua. Isso chama a atenção de quem procura pessoas com interesses em comum para se sentirem acolhidas e receber os benefícios dessa interação. Todo mundo gosta de encontrar gente com quem se identifica. Para a sua comunidade passar essa impressão, ela deve dar ao visitante a oportunidade de conhecer não apenas uma, mas várias pessoas desse tipo. O conteúdo do site talvez tenha chamado a atenção deles, mas uma comunidade vazia ou fraturada afastará participantes em potencial. Na maioria dos casos a comunidade pode não ser o único mas será o principal chamariz para aumentar seu próprio "capital social".

Uma comunidade é sempre surpreendente. Os participantes de uma comunidade irão surpreender você a toda hora, especialmente se você nunca tiver participado de uma. Os problemas e os temas que você considera importantes talvez não interessem à comunidade. Por outro lado, alguns membros se entregarão apaixonadamente à discussão de idéias que você nunca considerou relevantes ou sequer conhecia.

Senso de territorialidade. Usuários assíduos desenvolverão um sentido de territorialidade pela comunidade. Como um todo, a contribuição deles provavelmente superará a sua e você terá que admitir isso. Esse sentimento se manifesta de inúmeras formas. Ele pode causar um senso de posse pelo site, levando alguns usuários a se ofenderem por causa de mudanças mínimas como o acréscimo de uma nova área ou a ampliação do foco da comunidade. Mas, se por um lado a territorialidade dificulta algumas coisas, ela também pode ajudar. Os usuários assíduos costumam assumir tarefas e responsabilidades dentro da comunidade. O sistema de moderação e meta-moderação do Slashdot (um site americano), por exemplo, canaliza essa energia para manter a alta qualidade do conteúdo gerado pelos usuários. Perl Monks e Everything (idem) aplicam esse recurso de uma maneira um pouco diferente, aproveitando-o para definir o foco editorial da comunidade

Preservando a memória coletiva. Você saberá que tem uma comunidade saudável quando encontrar comentários como "este é o melhor site que já visitei", "eu vim aqui com um objetivo mas acabei ficando por causa das pessoas que eu conheci" e "nenhum outro lugar na internet é como este". Usuários contentes tendem a falar sobre o site em termos transcendentais, como se o tivesses encontrado por desejo divino. Isso acontece em quase toda comunidade saudável onde há convivência social. Aproveitando isso, incentive a formação de arquivos comunitários. Deixe à disposição links para acessar partes da história do site (mensagens postadas, fragmentos de conversas em chat, eventos curiosos) em pequenas "pílulas" de informação.

Limites para o seu esforço. Você jamais conseguirá agradar certas pessoas. Em geral, estas pessoas ficam na moita esperando você cometer um erro. Elas sabem fazer alarde. A postura pessimista não tira a razão deles, mas eles também podem incomodar sem motivo. Aceite que eles são uma minoria, espere que eles ocasionalmente façam críticas e sugestões relevantes e não se surpreenda se eles não forem embora (a maioria das pessoas que vai embora, faz isso discretamente). Saiba também que a maior parte das comunidades não é constituída por participantes ativos. A maioria lê e nunca escreve. E aqueles que escrevem, apenas o fazem eventualmente. A maioria dos membros tem opiniões sobre os vários tópicos de discussão mas raramente compartilha suas idéias. Não se apóie em declarações de amor eterno. Aprenda a estimar resultados positivos, como o crescimento dos registros e o número de usuários que retornam depois da primeira visita. Desconfie da sensação de derrota provocada por críticas destrutivas de alguns grupos. Opiniões contrárias não devem ser os únicos motivos para se condenar uma idéia. Apóie-se na opinião de usuários antigos e recorrentes. Não valorize uma opinião apenas em função de participação. Alguns dos melhores contribuintes escutam e pensam muito mais do que falam ou escrevem.

Entraves às vezes ajudam. O número de usuários ativos de uma comunidade varia inversamente em relação à quantidade de trabalho necessário para se participar do site. Impor uma confirmação por e-mail antes do registro do nome de usuário impede que usuários criem contas novas o tempo todo. Estas regras se aplicam particularmente a listas de e-mail e grupos. Mesmo nas listas sem moderador, há muito mais leitores que escritores. Pouca gente escreve porque o fato de existirem muitos desconhecidos causa inibição.

A primeira contribuição. Você atrairá mais colaboradores se facilitar a participação. As comunidades que permitem o envio de mensagens anônimas geralmente recebem mais contribuições iniciais. Isso varia segundo o tipo de comunidade - é mais fácil postar simultaneamente em muitos grupos do que assinar uma lista moderada que exige confirmação de registro por e-mail.

Acrescentar novidades para convencer os usuários a preencher um formulário (ou para desencorajar o envio de posts anônimos) funciona como um filtro, o que pode ser bom ou ruim. Muitos membros do site Perl Monk defendem o fim da colaboração anônima. Isso provavelmente reduziria a participação de usuários flutuantes que fazem perguntas, pedem respostas por e-mail e nunca voltam ao site. Por outro lado, muitos das pessoas que participam regularmente do Perl Monks começaram enviando mensagens anônimas para sentir a receptividade do grupo. O registro ainda pode aumentar a credibilidade do grupo, funcionando como chamariz para usuários mais responsáveis.

A interface. Uma comunidade forte deve superar limitações técnicas. É possível criar um Wiki [programa simples para a publicação na web] ou um blog usando menos de cem linhas de código. Alguns usuários preferem a simplicidade. A falta de sofisticação (ferramenta de busca, opções de personalização, etc.) talvez decepcione algumas pessoas, e uma interface de usuário feia ou estranha pode às vezes atrapalhar, mas uma comunidade pode crescer mesmo assim.

Vale mais a pena, entretanto, ter um site simples e consistente, especialmente usando fóruns de mensagem na web. Se benefícios sociais podem persuadir usuários a agüentar e até se afeiçoar por um sistema de publicação esquisito, um site complicado demais (ou mesmo a territorialidade dos usuários) reduz o registro de novos participantes. Haverá sempre resistência às inovações.

Discuta a comunidade abertamente. Mesmo que você tenha o direito e o poder de mudar as estruturas da comunidade, talvez você não tenha o apoio necessário para fazê-lo sem que isso leve à desintegração da comunidade. É difícil fazer alterações. Inovações repentinas ou profundas geralmente assustam. Mas também será inevitável mudar um dia.

Lembre-se do sentimento de territorialidade e que não se pode agradar todo mundo sempre. Qualquer mudança que você faça (ou não faça) ofenderá alguém e você saberá disso. Seja honesto em relação a seus propósitos. Quanto mais cedo você informar a comunidade sobre seus planos, melhor. Assim você poderá contar com as opiniões dos usuários mais valorosos para aperfeiçoar suas idéias.

Entenda que a própria comunidade eventualmente se tornará um tema de debate. Usuários do Perl Monks têm uma área de discussão para sugestões de aperfeiçoamento do site. As raras mensagens do Slashdot sobre o Slashdot sempre recebem milhares de comentários.

Não pare aí! Mesmo quem tem diplomas em psicologia e sociologia se surpreenderá com o funcionamento das comunidades. Seja muito claro em relação aos seus objetivos e as regras de conduta. Maneje conscientemente as suas expectativas sobre a participação de usuários e do grupo. Permita que exista um pouco de caos. Use o bom-senso e a razão. Se houver uma audiência para o seu tema, ela encontrará a sua comunidade.

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