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Liderança Pastoral

Líderes com qualidade


Nos últimos anos, muito se ouviu falar do assunto qualidade, na divulgação dos produtos, na indústria, no atendimento de uma balconista, numa empresa prestadora de serviços etc. Mas e na igreja? Um lugar onde as teorias de administração, pregadas nas empresas, não são ministradas nos púlpitos, será que a qualidade exerceria alguma influência?

Acredito que sim, já que o dicionário Aurélio a define como um dom, uma virtude, disposição moral. Fiquemos com a palavra disposição, a mesma significa estado de espírito. Podemos interpretar então que qualidade é um estilo de vida, um estado de espírito de um homem de bem com a vida, uma pessoa feliz, que realiza seus trabalhos com qualidade, não somente porque a organização assim exige, mas porque o seu estilo de vida de trabalhar com qualidade, o conduz nas tarefas cotidianas fazendo toda diferença neste mundo.

Podemos ver em João 10:10b as palavras de Jesus nos convidando para este estilo de vida, “eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância”. Resumindo, qualidade é a vida abundante de Deus em nós.

Mas o que isto tem a ver com as igrejas?  Tem tudo a ver. Uma comunidade cristã é a soma de pessoas, e são estas que exercem seus ministérios nas mais diversas áreas da Igreja. Temos pessoas no louvor, na recepção, na assistência às crianças e aos pobres, no escritório da Igreja, ou seja, pra onde olharmos veremos pessoas fazendo as coisas e a vida abundante de Cristo nelas irá determinar se seu trabalho é com qualidade ou não.

Como esperar de um vendedor o cumprimento de metas, se ele está insatisfeito consigo mesmo? Na igreja não é diferente, todos que exercem algum papel ou atividade no ministério, se não estiverem fazendo debaixo do fluir da vida abundante de Deus, com certeza os resultados não serão tão positivos.

Trabalhar com qualidade é participar da escala de estacionamento bem na hora do sol mais forte do dia, é recepcionar as pessoas no primeiro horário da manhã, é abrir mão dos compromissos pessoais para servir algum membro que esteja necessitando, é participar de tantos ensaios quantos forem necessários para uma bela apresentação etc, (nossa lista poderia ser muito mais extensa.)

Viver com qualidade é viver a plenitude da vida de Deus em nós. Como líderes espirituais, precisamos identificar pessoas para as quais o ministério não é mais prazeroso, servir é um peso que resulta sempre em murmuração. O impacto disto na vida da igreja é sério, abre brechas, porque a igreja é um organismo vivo, onde tudo acontece através de pessoas.

Podemos ver uma comunidade trabalhando e vivendo desta maneira, com certeza, na igreja de Atos. A situação do capítulo 2, versos 42 a 47, reflete bem o tema em questão: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração. Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar”.

Neste texto podemos ver uma comunidade de pessoas amigas, cheias da vida de Deus, vivendo com qualidade os relacionamentos e o amor de Deus, compartilhando um com o outro, servindo a todos, apoiando os necessitados etc.

Creio que a importância deste artigo é despertar-nos para as vidas que estão servindo a Deus nas igrejas no piloto automático, levando a vida ministerial como algo estritamente profissional, pessoas nas quais falta a qualidade no servir ao Senhor, com repercussão direta sobre o rebanho.

Que estratégias podemos utilizar para motivar e despertar uma equipe ministerial a realizar o trabalho para o Senhor da melhor forma? Abaixo segue algumas ações que podem ser realizadas:

  • Implantar programas participativos;
  • Implantar reuniões de 5 a 30 minutos (falar / ouvir);
  • Criar sistema de divulgação de resultados;
  • Promover seminários internos para divulgar trabalhos;
  • Estimular a criatividade;
  • Definir claramente as responsabilidades de cada membro da equipe;
  • Delegar autoridade conscientemente;
  • Estabelecer metas desafiadoras;
  • Incentivar trabalhos em grupos;
  • Criar facilitadores na organização para elaboração de treinamentos;
  • Promover a rotação de pessoas nas atividades de escala dos ministérios;
  • Promover as pessoas com melhor desempenho e/ou habilidades;
  • Implantar sistema de reconhecimento por suas metas atingidas (elogio, diplomas de mérito, etc.).

Tenhamos à frente das igrejas obreiros e líderes cheios da vida de Deus, levando a obra do Senhor com zelo e com muita qualidade, fruto daquilo que cada um tem vivido individualmente.

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