Artigos

Compartilhe

Liderança Pastoral

A unção de Sansão


"Deu a mulher à luz um filho e lhe chamou Sansão; o menino cresceu e o Senhor o abençoou" (Juízes 13.24).

O livro de Juízes registra um longo período da história de Israel. Descreve sete opressões e sete guerras de libertação, com seus líderes levantados pelo Senhor. Sansão foi o último dos juízes apontado nesse livro, liderando a nação por vinte anos. Nascido de uma mãe que não podia ter filhos, foi consagrado a Deus desde antes de seu nascimento. Quando o Anjo do Senhor apareceu pessoalmente, disse à mulher para não beber vinho, nem comer nada da videira durante o período de gestação. Os cabelos dele não poderiam ser cortados. Seria "nazireu" (Números 6.1-5) e deveria seguir a mesma dieta de sua mãe por toda a sua vida.

Pela grande força que Deus lhe dera, Sansão realizou sete feitos memoráveis na história: (1) quando atacado de surpresa, rasgou um leão somente com as mãos (Juízes 14.6); (2) destruiu trinta homens na sua festa de casamento por causa de seu enigma revelado (Juízes 14.19); (3) queimou os campos dos filisteus, usando trezentas raposas (Juízes 15.5); (4) massacrou os filisteus que mataram sua esposa (Juízes 15.8); (5) matou mil filisteus com uma queixada de jumento (Juízes 15.15); (6) quando ameaçado de morte, removeu sobre os ombros os portões da cidade de Gaza (Juízes 16.3); e (7) destruiu o templo de Dagom com 3.000 filisteus dentro, incluindo todos os seus príncipes (Juízes 16.30).

Os atributos espirituais

Seus atributos físicos não foram acompanhados por atributos espirituais. Sua aparente santidade exterior não estava lastreada em uma verdadeira santidade interior. Sansão viveu pelo menos sete incoerências gritantes: (1) dominou um leão, mas não teve domínio próprio (Juízes 16.1); (2) olhou livremente para seus desejos (Juízes 14.2; 16.1), mas acabou com indesejável cegueira (Juízes 16.21); (3) incendiou as searas do inimigo, mas terminou incendiado pelas próprias paixões (Juízes 14.17; 16.16); (4) viveu uma falsa liberdade (Juízes 16.4), mas morreu escravo dos filisteus (Juízes 16.20); (5) deixou-se amarrar (Juízes 15.14), mas foi forçado a ser amarrado definitivamente (Juízes 16.21); (6) divertiu-se em festas (Juízes 14.10), mas tornou-se a diversão da festa dos inimigos (Juízes 16.25); (7) gostava de propor enigmas (Juízes 14.12), mas tornou-se um próprio enigma difícil de compreender: alguém tão rico em Deus vivendo tamanha miséria de vida, alguém tão forte fisicamente vivendo tamanha fraqueza emocional.

Quem Sansão era aos olhos de Deus

Achando que estava seguro deitado no colo do inimigo, teve suas sete tranças cortadas(Juízes 16.19). Cada trança simboliza quem ele era aos olhos de Deus: (1)  Deus tinha feito uma aliança com Sansão (Juízes 13.5); (2) Deus havia estabelecido um propósito para sua vida (Juízes 15.20); (3) Deus o separou para si para a santidade do seu nazireado (Juízes 13.5); (4) Deus seria sua própria alegria, não necessitando da alegria volátil do vinho (Juízes 13.14); (5) Deus respondia suas orações para que Sansão tivesse total confiança (Juízes 15.19); (6) Deus esperava completa fidelidade (Juízes 13.8-9); (7) Deus sempre demonstrou seu amor até o último minuto antes de morrer (Juízes 16.28). Apesar de cada trança representar uma riqueza de significado, Sansão deixou-as serem cortadas uma a uma.

Sansão tornou-se um protótipo do anti-herói. Desperdiçou seu chamado, sua unção e sua vida. Recebeu o poder do Espírito para ser movido pelo amor e pelo altruísmo. Ao invés disso, agiu por egoísmo, paixão, vingança, vaidade e inconsequência. Mesmo assim, foi profundamente amado pelo Senhor que respondeu suas orações (Juízes 15.18 e 16.22 e 28) e o contou na galeria da fé (Hebreus 11.32). Apesar de Deus o enxergar com seus olhos de amor, ele mesmo não se via com o mesmo olhar. Poderia ter ido muito além. Imagine se ele tivesse compreendido tudo aquilo que realmente era aos olhos do Pai?

De igual forma, nascemos no coração do Anjo do Senhor - Jesus Cristo - antes mesmo de nascermos de nossa mãe. Estamos dentro de uma aliança eterna. Temos propósitos tremendos. Fomos ungidos com o Espírito Santo. Deus nos quer totalmente para si, nos separando para sua intimidade. Recebemos dele a alegria mais pura, para o que seria suficiente nossa fidelidade. Ele nos ama sem medida! Podemos ir muito além do que temos caminhado até aqui. Imagine quando compreendermos tudo o que realmente somos aos olhos do Pai?

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com.

Leia também
Uma liderança competente
Liderando com um coração saudável
Inimigos da vocação