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Por mais aceitação


  (baseado em João 7.53 - 8.11)

O Mestre acabara de ficar mais uma noite recolhido em um de seus lugares preferidos de oração, o Monte das Oliveiras. Quando retornou logo cedo ao templo para ensinar o povo, os religiosos prepararam uma emboscada para pegá-lo, trazendo à sua presença uma mulher "flagrada" em adultério. Exigem de Jesus uma sentença. Surge o dilema: se confirmar sua morte fica evidente que não tem compaixão pelas pessoas. Se recusar a morte, estaria rejeitando toda a lei de Moisés. O que fazer?

Enquanto todos têm sua atenção para o Mestre, Jesus volta sua atenção para aquela pobre mulher. Ele não aceita o pecado, porém é sensível à pecadora. Enxerga a mulher tremendo de pavor, suando vergonha, sentindo em sua pele a dor das primeiras pedradas, cerrando seus olhos na certeza da morte. Percebe como sua alma estava dilacerada pelas palavras rudes que eram lançadas como setas do inferno. Ela sabia que não tinha saída. Estava totalmente exposta sem piedade. Não haveria qualquer um que se colocaria em sua defesa. Aliás, era impossível seu livramento. Já estava sentenciada de morte.

Ele, porém tem um plano e está disposto a arriscar-se por esta vida. Abaixa-se e começa a escrever no chão. Todos esperam sua reação. Sabia o Mestre que a Lei determinava que as testemunhas lançassem a primeira pedra (Dt 17.7), por isso chama à ordem que estes sejam os primeiros.

Mas como tinha sido o comportamento dos acusadores? Teriam ficado à espreita durante a noite? Teriam sido então cúmplices do ato? Todo adultério tem dois envolvidos, mas teriam deixado escapar o homem? Se dessem o passo à frente seriam confrontados pelo olhar penetrante de Jesus. Ecoa no ar o desafio do Mestre: quem não tem pecado lance a primeira pedra! Imediatamente os covardes recuam, pois passaram a correr o risco de se tornarem os novos alvos do apedrejamento. Os mais novos olham para os mais velhos. Os mais velhos olham para seus corações. Um momento de consciência traz o silêncio como evidência que todos tinham pecado.

A armadilha tinha sido brilhantemente desarmada. Todos se vão embora. Ao saírem, mesmo conscientes do pecado, indicam que não pretendem se arrepender. Estão tão comprometidos com seu próprio pecado que é mais fácil e conveniente manter-se naquela posição. O que estava em pauta era um desafio a uma nova vida. Declinam, contudo, do convite do mestre ao arrependimento e confissão, pois isso seria vergonhoso. Surpreende ter vergonha de manter-se com a aparência de bons, mesmo com corações tão corruptos. Deveriam, sim, ter vergonha de seus corações. Mas preferiram sair. 

O silêncio surpreendente faz a mulher abrir seus olhos. Só ela e o mestre agora. Ela ficou porque não tinha saída. Qualquer movimento anterior seria motivo para a primeira pedra. Parece que a emboscada foi um grande plano de Deus para confrontar aquela pobre pecadora a uma nova vida. Não tinha como não mudar de rumo após a experiência de olhar no olho do mestre. Ao invés de um sermão acusador e moralista, um olhar amoroso muda sua história. Era o suficiente para convencê-la de sua natureza pecaminosa. Tinha adulterado, pois era incapaz de ser fiel. Mas agora estava diante de uma oportunidade de uma mudança real de seu coração. Aquele que estava ali para salvá-la volta-se para ela e diz: "eu também não condeno você. Vá e não peque mais!"

Se aquele que não pecou teve compaixão pela pecadora, muito mais nós, que nascemos em pecado deveríamos demonstrar amor ao invés de trocar acusações e pedradas em nossos relacionamentos interpessoais. Sonhe e busque uma equipe que viva este valor do Reino de Deus.

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