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Reflexão

Deixa meu povo ir: nostalgia

Em Cristo Jesus, somos um povo liberto da escravidão das garras do Egito - que representa este mundo mal e decaído. Mas, assim como o povo de Israel, corremos o risco de sairmos para a terra prometida carregando hábitos e pensamentos pertencentes ao velho mundo, à velha natureza (Romanos 6.6; Efésios 4.22; Colossenses 3.9).

Precisamos não só sair do Egito, mas tirar o Egito de dentro de nós. Não devemos desprezar essas marcas que o  "Egito"  deixou em nossas mentes e corações. Além da rebeldia (veja no artigo anterior) e do medo (veja no artigo anterior), devemos lutar contra a nostalgia.

O povo dizia e chorava: Ah Moisés, "lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça, dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos" (Números 11.5).Não somente lembravam daquele tempo passado, mas choravam em alta voz, "cada um à porta de sua tenda" (Números 11.10). Seus lábios murmuraram contra Moisés e contra Arão, chegando até a dizer: "tomara tivéssemos morrido na terra do Egito" (Números 14.2). "Levantemos um capitão e voltemos para o Egito" (Números 14.4)

Reclamavam o tempo todo a Moisés, dizendo: "E por que nos fizestes subir do Egito, para nos trazer a este mau lugar, que não é de cereais, nem de figos, nem de vides, nem de romãs, nem de água para beber?" (Números 20.5) "Por que nos fizeste subir do Egito, para que morramos neste deserto, onde não há pão nem água? E a nossa alma tem fastio deste pão vil". (Números 21.5)   

Olhar pra trás 

Essas palavras refletem que o povo tinha um olhar pra trás. Todas as suas referências e paradigmas eram o Egito. Lembravam, desejavam, sonhavam, esquecendo-se que lá eram escravos, humilhados, banalizados, explorados. Isso nos faz lembrar da experiência parecida quando Ló e sua família foram libertos da terra pervertida de Sodoma e Gomorra, mas "a mulher de Ló olhou para trás e converteu-se numa estátua de sal" (Gênesis 19.26).

Esse olhar pra trás simbolizou seu apego e afeição pelas coisas do passado, aos laços de alma que precisam ser quebrados. Por isso Jesus foi tão claro ao dizer: "lembrai-vos da mulher de Ló" (Lucas 17.32).

Olhar para baixo

Essas palavras refletem que o povo tinha um olhar pra baixo. Todas as comparações e parâmetros eram restritas às coisas materiais e terrenas, ao que se come e veste, ao que se consome e se tem. Lembravam, desejavam, sonhavam, esquecendo-se das coisas do alto que já tinham presenciado, como o poder de Deus livrando-os poderosamente das pragas, abrindo o mar, derrotando o exército diante de seus olhos, não deixando que suas vestes e sandálias se consumissem, enviando maná do céu, nuvem durante o dia para amenizar o calor e coluna de fogo à noite para aquecer do frio.

O que dizer também que, ao invés das jornadas exaustivas de trabalho, agora podiam ficar com sua família  e amigos. Mas, parece, que isso tudo não tinha muito valor. Nas palavras do salmista, "cedo porém, se esqueceram das suas obras e não lhe aguardaram os desígnios; esqueceram-se de Deus, seu Salvador, que no Egito, fizera coisas portentosas" (Salmos 106.13, 21).

Olhar ensimesmado

Essas palavras refletem que o povo tinha um olhar ensimesmado. Todas as citações e demandas tratam de coisas restritas ao seu consumo, ao seu corpo, ao seu próprio prazer. Lembravam, desejavam, sonhavam pra si mesmos, esquecendo-se das gerações que viriam pela frente e não mais seriam escravos. Isso foi tão forte no meio do povo que algumas décadas depois, logo após o falecimento de Josué, "outra geração se levantou que não conhecia ao Senhor, nem tão pouco as obras que fizera a Israel" (Juízes 2.10).

Nas palavras de Paulo, estavam sendo "mais amigos dos prazeres que amigos de Deus" (2 Timóteo 3.4), ou nas palavras de Tiago, querendo viver regaladamente sobre a terra, nos prazeres, engordando o coração, pedindo a Deus e não recebendo, porque pedem mal, para esbanjar nos próprios prazeres (Tiago 5.5; 4.3).

O olhar da Terra prometida

Enquanto o Egito nos faz olhar pra trás, pra baixo e exclusivamente pra si mesmo, a terra prometida nos inspira a olhar pra frente, pra cima e para os outros. Vamos nos esquecer das coisas que para trás ficam e prosseguir para o alvo (Filipenses 3.13, 14), buscando e pensando nas coisas do alto (Colossenses 3.1, 2), não tendo cada um em vista somente o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros, pois este é o mesmo sentimento e mente de Cristo (Filipenses 2.4, 5).

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