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Reflexão

A Paz de Cristo no Novo Ano


Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize (João 14.27).

Jesus estava em uma conversa aberta, profunda e realista com seus discípulos. Suas palavras precediam o lava-pés, a última ceia, o julgamento e sua morte na cruz. Tudo estava sendo calmamente anunciado pelo Mestre. A troca de olhares entre eles revelava espanto e insegurança. Tudo o que estavam vivendo até ali era muito bom. Testemunhavam o poder de Deus, alegravam-se na comunhão verdadeira, eram alimentados por palavras cheias de sabedoria e amor. A paz completa e tão desejada - o shalom de Deus - estava acontecendo. Será que tudo acabaria? Perguntas deste tipo invadiam suas mentes e corações. Exatamente neste contexto Jesus promete sua paz. Suas palavras indicam a natureza de sua paz.

A paz de Cristo é de natureza pessoal. "Deixo-vos a paz" são palavras que indicam que Ele a entrega pessoalmente. Não houve qualquer intermediário entre Deus e os homens que pudesse trazer paz. O próprio Deus se fez gente e habitou entre nós. Não poderia ser de outro jeito. Cristo veio para estabelecer sua paz (Lc 2.14; Jo 16.33). Ele derrubou a parede da separação que estava entre nós e Deus, a inimizade, e nos reconciliou, por intermédio da cruz (Ef 2.14-16; Cl 1.20). Sua paz é pessoal pois foi feita por ele e só acontece a partir do relacionamento com ele. Não é um produto que se pode colocar na prateleira do comércio religioso. A paz é fruto da nossa relação íntima e pessoal com Cristo.

A paz de Cristo é de natureza superior. Ao dizer "a minha paz vos dou", Jesus oferece a sua paz, aquela que pertence somente a Ele, aquela como Ele mesmo a tem: completa, abundante, generosa, inabalável. Além da paz com Deus (Rm 5.1), Jesus dá acesso à paz de Deus (Fp 4.7) que excede todo o entendimento humano. O conceito bíblico de paz (Shalom) tem, em sua raiz, o significado de totalidade, inteireza ou perfeição. Ter a paz de Deus implica em ter realização, maturidade, saúde, integridade, harmonia, segurança, bem-estar, prosperidade. Os pensamentos de Deus são mais altos que os nossos pensamentos, e são pensamentos de paz a nosso respeito, para dar o fim que desejamos (Is 55.9; Je 29.11).

A paz de Cristo é de natureza oposta. Sua afirmação "não vo-la dou como a dá o mundo" aponta para um importante contraste. Cristo deseja a paz de maneira real e profunda, enquanto o mundo o faz de maneira formal e superficial. Cristo dá a sua paz de maneira gratuita, enquanto o mundo quer barganhá-la, ou vendê-la. A paz de Cristo é completa, firme, irrevogável, verdadeira, permanente. A paz do mundo é parcial, oscilante, condicional, falsa, fugaz. Tudo muito diferente. Por isso, jamais encontraremos a paz nas coisas desse mundo. Nenhum título, posição, bem material, cultura, status ou qualquer outro valor humano trará paz em si. Jesus é o autor, príncipe, embaixador e sustentador da paz.

A paz disponível por Cristo traz tranquilidade permanente na alma, felicidade ininterrupta da mente, amizade eterna com Deus. Ela nos capacita a vivermos em paz com os outros e conduz para que cada um tenha paz consigo mesmo. Nosso coração não precisa se turbar, nem ficar atemorizado. Sua paz foi liberada sobre nós. É a herança disponível aos seus discípulos. Vamos, pois, desfrutar da paz de Cristo no novo ano.

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