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Reflexão

Silêncio no ano novo

"Aquietem-se e saibam que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra" (Salmos 46.10 – NAA).

Aquietar-se é um bom desafio para qualquer um de nós neste novo ano. Dois anos para aprender a falar e uma vida inteira para aprender a calar. Existem muitos barulhos e vozes tanto no ambiente externo como dentro de nossa mente. Diante de um mundo de muitos ruídos que afetam a saúde física e mental com seus estímulos que desestabilizam, confundem, agitam, a Bíblia trata o silêncio com reverência e grande importância. Vejamos algumas cenas de silêncio em meio ao mundo de gritos.

Silêncio falso: Isaque rompeu o silêncio e disse a Abraão, seu pai: — Meu pai! Abraão respondeu: — Eis-me aqui, meu filho! Isaque perguntou: — Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? (Gênesis 22.7 - NAA)Nessa passagem, o silêncio de Isaque traz o significado de uma mente inquieta quanto às circunstâncias de não ver solução à situação que viviam. Silêncio por fora, mas estrépito por dentro. Precisava ser ministrado por seu pai Abraão - o pai da fé - a respeito de Jeová Jire - o Deus de toda provisão. Mesmo que tudo aponte que você será o sacrificado, de repente, Deus provê o Cordeiro que se torna sacrifício em seu lugar. O silêncio pode encobrir nossa incompreensão e incredulidade. Somente a fé nos conduz a um silêncio sereno, amigo, confiante.  

Silêncio prudente: O homem a observava, em silêncio, atentamente, para saber se o Senhor teria levado a bom termo a sua jornada ou não (Gênesis 24.21 – NAA). Nesse episódio, lemos o tipo de silêncio que revela o coração amadurecido do servo aguardando a confirmação do Senhor a despeito de todas as evidências já apontarem positivamente. O silêncio é o amigo que ajuda em nossa jornada até que tudo se confirme.

Silêncio sábio: As palavras dos sábios, ouvidas em silêncio, valem mais do que os gritos de quem governa entre tolos (Eclesiastes 9.17). Aqui indica que a sabedoria é percebida quando fazemos aquietar os gritos de nossa alma. Existe uma relação direta entre silêncio e sabedoria. Silêncio é pedagógico. O silêncio precede a sabedoria, e a sabedoria nos faz ficar em silêncio. O dom da palavra é lindo, mas a sabedoria do silêncio é maravilhosa.

Silêncio intencional: Jesus, porém, guardou silêncio e nada respondeu (Marcos 14.61a – NAA). Jesus, sendo o Senhor, soube quando ficar em silêncio, mesmo tendo todas as respostas. Aliás, no silêncio a gente escuta tanta coisa. Em meio aos gritos e barulhos da multidão e autoridades, Jesus não emitiu qualquer som. Havia muito barulho por fora, mas silêncio por dentro. Ele é senhor do silêncio e não escravo das palavras. Jesus nos ensina que o silêncio também é resposta. De verdade, o silêncio é o argumento mais difícil de vencer. Seu silêncio não foi ato de covardia, mas de amor. Se abrisse a boca, não seria condenado e não cumpriria sua missão. Vamos aprender com nosso Mestre a ter esse discernimento diante das situações adversas.

Silêncio natural: Quando o Cordeiro quebrou o sétimo selo, houve silêncio no céu durante quase meia hora (Apocalipse 8.1 – NAA)Diante da beleza, força, autoridade, poder, glória de Jesus, a reação mais natural é haver silêncio como expressão de adoração. Há tempo de silêncio diante do trono de Deus. Assim como a pausa faz parte da música, o silêncio faz parte da nossa adoração ao Cordeiro. 

Bom é aguardar a salvação do Senhor, e isso, em silêncio (Lamentações 3.26). Espere, não se angustie, o seu Redentor vive, o seu Salvador está atento. Aguarde em silêncio, a salvação é certa. Neste ano novo, faça aquietar os barulhos de sua alma, seus pensamentos inquietos, seus gritos de desespero. Não fale palavras das quais um dia se arrependerá. Fique em paz com o silêncio necessário.

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