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Reflexão

Ligue sonhos inspiradores


Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha (Salmos 126.1).

Sonhar é um verbo que tem inspirado poetas, compositores, filósofos, políticos. Não foi muito diferente no caso do salmista que captou o coração do povo em um momento muito importante da história e lançou essa linda expressão ao ar: ficamos como quem sonha. Ao longo do texto, o salmista indica diversas fases dos sonhos inspiradores.

Sonhos roubados, quando o inimigo Nabucodonosor entrou em Jerusalém e trouxe grande destruição tanto à cidade quanto ao povo. O Livro de Lamentações registra esse ocorrido e as suas consequências de forma muito vívida. Jeremias nesse livro registra não somente o exílio do povo, mas também as mortes, as humilhações, os estupros, a fome que se seguiu a ponto de mães matarem os próprios filhos para os comerem. A cidade ficou em ruínas, os muros foram derrubados e o templo destruído. O que se instalou na cidade tão populosa foi o sofrimento e a miséria. O povo foi deportado (2 Rs 17.6; 24 e 25) e humilhado (Sl 137). O cativeiro roubou os sonhos. E quem deixa de sonhar, deixa de existir, como disse o escritor americano Mark Twain: “nunca se afaste de seus sonhos. Porque se eles forem, você continuará vivendo, mas terá deixado de existir”. Na pergunta do poeta francês Edmond Rostand: “o que é a vida sem um sonho?” De fato, foram setenta anos não somente de sonhos roubados, mas de terríveis pesadelos. Qual o tipo de cativeiro que pode estar roubando seus sonhos hoje?

Sonhos restaurados, quando o Senhor cumpre todas as suas promessas de libertação. Isso mesmo: promessas. O mesmo profeta que havia escrito suas lamentações, havia profetizado com precisão que o cativeiro tinha prazo contado de setenta anos (Je 25.11; 29.10). Também o profeta Isaías havia predito com exatidão 150 anos antes do ocorrido o nome do governante da Babilônia que seria usado por Deus para libertar o povo: que digo de Ciro: Ele é meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz; que digo também de Jerusalém: Será edificada; e do templo: Será fundado (Is 44.28). Essas profecias revelam a soberania da regência de Deus na história do seu povo e foram “descobertas” na busca do profeta Daniel quando estavam para se cumprir em seus dias (Dn 9.1). Mais ainda, a expressão “sorte restaurada” não é uma simples misericórdia da volta ao lar, mas um quadro de labuta coroada com bênçãos incontáveis e abundantes. Ora, quando o Senhor restaurou a sorte desta maneira generosa e abundante, todo o povo voltou a sonhar. O povo voltou a ser gente, como diria William Shakespeare: “nós somos do tecido de que são feitos os sonhos”. O povo voltou a acordar sonhando, ou a sonhar acordado, como definiria o poeta gaúcho Mario Quintana: “sonhar é acordar-se para dentro”. Somente a libertação de Deus em nossa vida restaura nossa capacidade de sonhar. Você conhece as promessas do Senhor sobre sua vida?

Sonhos contagiantes, quando o salmista insiste em usar termos coletivos. A sorte restaurada não foi somente de um indivíduo ou de uma família, mas de Sião. O sentido mais importante dessa expressão é que Sião significa a totalidade do povo de Deus, desde aqueles tempos até o futuro glorioso da Jerusalém Celestial (Is 60.14; Hb 12.22; Ap 14.1). De igual maneira, o sentido coletivo é percebido ao usar a primeira pessoa do plural (ficamos como quem sonha) ao invés do singular (fiquei como quem sonha). Quando o Senhor restaura a sorte de todo um povo, a alegria torna-se incontida e transbordante. Como diria o personagem idealista D. Quixote de La Mancha: “Quando se sonha sozinho é apenas um sonho. Quando se sonha juntos é o começo da realidade”. De maneira ainda mais significativa, Martin Luther King fez seu mais famoso discurso dizendo: “Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele”. Seu sonho não era somente para si, mas para todo um povo. Quais sonhos temos sonhado juntos como famílias, igreja, nação?

Sonhos [re]conhecidos, quando o salmista afirma “com efeito, grandes coisas fez o Senhor por nós e por isso estamos alegres”. Existem dois milagres: o milagre em si da restauração e o reconhecimento de que foi do Senhor essa obra. Estamos falando do segundo milagre, quando nossos olhos são abertos para a percepção da ação de Deus e quando toda nossa gratidão e toda glória é dada somente a ele. Quais têm sido as grandes coisas que o Senhor já tem feito por você, sua família e por nós?

Sonhos regados em oração, quando, em meio ao reconhecimento de que o Senhor já restaurou a sorte, nasce o pedido: “restaura Senhor a nossa sorte, como as torrentes do Neguebe”. O Neguebe não é um rio, nem nome de homem, mas a denominação de uma região desértica, que fica no Sul de Israel, abaixo da linha das cidades de Belém e Hebrom. Durante a estação das chuvas da região, especialmente na fase quando caem as chuvas torrenciais ou chuvas serôdias, as águas escorrem pelos montes até atingirem o deserto do Neguebe. As águas abundantes formam vários riachos que regam a área seca e, em poucos dias, o lugar que era feio, solitário e sem vida ganha outro aspecto. Os campos tornam-se úmidos e floridos, cobertos pela vegetação. A vida do lugar é restaurada. Os animais retornam e a paisagem torna-se bela. Com essa figura na mente, em meio ao louvor e gratidão, o salmista resolve orar intensamente pela continuidade da obra de restauração do Senhor. Quais são as áreas que ainda estão em deserto em sua vida?

Sonhos conquistados com muito esforço, quando o salmista reconhece que lágrimas serão derramadas ao longo da jornada das batalhas. “Semear com lágrimas” indica esforço e perseverança em meio a lutas. Foi nesse contexto que Deus usou Esdras para a restauração do templo (Esdras 7.10) e Neemias para restauração dos muros (Neemias 1.4ss). Esforço e muita dedicação. Qual deve ser o foco de seu esforço e dedicação aos seus sonhos?

Sonhos celebrados com alegria, quando o salmista encerra sua poesia declarando que “voltará com júbilo trazendo seus feixes”. Vale a pena sonhar os sonhos restaurados do Senhor para nossa vida. Ele sempre tem, ao final, júbilo intenso. Como tem sido sua expressão de gratidão e júbilo perante as pessoas e o Senhor?

Quando o Senhor entra em nossa história, e toma as rédeas de nossa vida, sua intervenção torna-se transformadora e ele nos faz sonhar sonhos relevantes, como ele mesmo sonha para nós. Podemos declarar: No Senhor Jesus, sonho, logo existo! Jesus é o Senhor de nossos melhores sonhos!

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