Artigos

Compartilhe

Reflexão

A natureza do reino de Deus


Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.
(Romanos 14.17)

Assim como Jesus já havia ensinado que o reino de Deus deveria ser buscado em primeiro lugar e as demais coisas seriam acrescentadas (Mt 6.33), o apóstolo Paulo insiste que é necessário discernir o essencial do complementar, prioritário do secundário, indispensável do prescindível. É claro que comer e beber compõem necessidades básicas do ser humano, mas a discussão ao redor desse tema está longe de ser prioridade. Mesmo que a discussão tenha contornos espirituais, o reino de Deus ocupa-se de temas que estão em uma categoria superior como a justiça, paz e alegria.

A justiça do reino de Deus diz respeito à retidão, integridade, pureza, perante Deus e as pessoas.

Em outras palavras, o apóstolo Paulo disse: A nossa vontade é fazer aquilo que tanto o Senhor como as pessoas acham certo (2 Co 8.21 - NTLH). Perante Deus, só alcançamos justiça plena através de Jesus Cristo. Nossa maior retidão ou justiça, diante do padrão da santidade de Deus, seria como trapo da imundícia (Is 64.6). Existem duas dimensões do pecado: a transgressão é o pecado realizado; a iniquidade é a inclinação de pecar. Matar é transgressão, enquanto ódio é iniquidade (Mt 5.21-22). Adulterar é transgressão, enquanto olhar impuro é iniquidade (Mt 5.27-28).

Por isso, o apóstolo João foi muito claro ao declarar que se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós (1 Jo 1.8). Por isso, somente em Cristo encontramos justiça perante Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus (2 Co 5.21). Perante as pessoas, só conseguiremos ser completamente justos quando as tratarmos exatamente como Jesus as trataria. E o padrão de Jesus é o mais elevado. Ele cumpriu integralmente o preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Gl 5.14; Mc 12.31).

A paz do reino de Deus é a consequência natural da justiça. 

O salmista poetizou que a paz e a justiça se beijam (Sl 85.10). O profeta ensinou que o efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança, para sempre (Is 32.17). A paz do reino é verdadeira e não superficial (Jr 6.13-14), perene como Cristo a tem (Jo 14.27). Ela excede todo o entendimento (Fp 4.7), pode ser buscada em oração (Sl 122.6), profetizada e desejada (Lc 10.5). É paz exterior com Deus (Rm 5.1) e com as outras pessoas (Rm 12.18; Hb 12.14a) e interior, ou seja consigo mesmo. Está disponível somente através de Cristo (Jo 16.33; Cl 3.15), como fruto do Espírito Santo (Gl 5.22). No reino, vivemos a paz e nos tornamos pacificadores (Mt 5.9).

A alegria do reino é a consequência natural da paz. 

Quem está em paz, está em alegria. Buscar alegria faz parte da natureza humana. Nosso coração inclina-se nessa busca, pois Deus nos fez assim. A alegria do reino nos traz de volta ao propósito de glorificar a Deus, ao mesmo tempo que o ato de glorificar a Deus produz em nós imensa alegria. A Bíblia incentiva que nos alegremos sempre no Senhor (Filipenses 4.4), pois na presença do Senhor há plenitude de alegria (Salmos 16.11) e a alegria no Senhor é a nossa força (Neemias 8.10), fruto do Espírito (At 13.52; Gl 5.22), mesmo diante de provações (Tg 1.2).

Não há alegria sem paz, nem paz sem justiça. A justiça, paz e a alegria são interdependentes e coexistentes no reino de Deus. Não há um sem o outro. 

Vamos, pois, viver o reino de Deus em sua essência e natureza plena, promovendo a justiça, vivendo em paz e desfrutando da alegria no Espírito Santo.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

Leia Também:
Autoridade do reino de Deus
A realidade do reino de Deus
Hoje é tempo de viver em paz