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Reflexão

O pensamento reformado sobre a redenção da humanidade

O homem é totalmente incapaz de salvar a si mesmo devido à queda do Éden ter sido total. Se não pode salvar-se, então Deus tem que salvá-lo. Se Deus tem que salvar, então tem que ser livre para salvar a quem ele quer. Se determinou salvar a quem Ele quer, então foi para estes que Cristo fez a expiação na cruz. Se Cristo morreu por eles, então o Espírito Santo efetivamente chamá-los-á para aquela salvação. Se a salvação é de Deus desde o início, então o fim também será de Deus e os santos perseverarão em júbilo eterno.

(1) Depravação total (Total Depravity) - quando o homem caiu no Jardim do Éden, caiu em sua totalidade. A personalidade do homem foi afetada como um todo pela queda e o pecado atinge a todas as faculdades - a vontade, o entendimento, as afeições etc. Esse passou a ser o estado natural do homem decaído. A natureza pecaminosa passou a ser perpetuada por nascimento e pela própria prática. O quadro pintado claramente pela Bíblia é a morte espiritual absoluta.

(2) Eleição Incondicional (Unconditional Election) - se o homem é incapaz de se salvar em decorrência da queda em Adão ter sido total, e se somente Deus pode salvar, e se todos não são salvos, então a conclusão tem que ser que Deus não escolheu salvar a todos. "Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós." (Jo 15.16)

(3) Expiação limitada (Limited Atonement) - Cristo morreu positiva e eficazmente para salvar a um certo número de pecadores que mereciam o inferno em quem o Pai já havia fixado seu amor graciosamente e por eleição. O Filho pagou a dívida desses eleitos, e por eles satisfez a justiça do Pai, atribuindo-lhes sua retidão de modo que se completem nele. Se, por outro lado, era intenção de Deus salvar a todos, então a expiação de Cristo tem sido um grande fracasso, pois grande parte da humanidade não tem sido salva.

(4) Graça Irresistível (Irresistible Grace) - o chamado exterior (ex.: "palavra do pregador") precisa ser acompanhado pelo chamado interior do Espírito Santo de Deus, pois é ele que "convence do pecado, da justiça e do juízo". Esse chamado é eficaz e não pode ser frustrado (Jo 6.37,44-45; Rm 8.14; Gl 1.15; 1 Pe 2.9; 1 Pe 5.10). Das três grandes forças trabalhando na questão da salvação do homem - a vontade do homem, a vontade do diabo e a vontade de Deus - só existe uma vitoriosa: a de Deus.

(5) Perseverança dos Santos (Perseverance of the Saints) - esta é a marca que distingue o crente: que ele pertence a Cristo; que é perseverante nas coisas de Cristo; que procura fazer cada vez mais firme sua vocação e eleição. A salvação que tem início na mente e no propósito de Deus há de terminar no cumprimento de seu no poder do Espírito Santo.

Se o homem não pode salvar-se a si mesmo, então Deus precisa salvá-lo. Se todos não são salvos, então Deus não salvou a todos. Se Cristo pagou pelos pecados, então foi pelos pecados daqueles que são salvos. Se Deus tem a intenção de revelar essa salvação em Cristo aos corações daqueles a quem escolheu para salvar, então ele proverá meios de fazê-lo com eficácia. Se, portanto, tendo determinado salvar, morrido para salvar, e chamado para a salvação aqueles que jamais poderiam salvar a si mesmos, também preservará os salvos para a vida eterna, para a glória de seu nome.

[1] TULIP - flor símbolo da Holanda, país que sediou o Concílio de Dort (1.619) onde foi usada como acróstico mnemônico dos cinco pontos do Calvinismo em combate ao arminianismo.

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