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Finanças e Contabilidade

O patrimônio e os relacionamentos


"E Esaú odiou a Jacó por causa daquela bênção, com que seu pai o tinha abençoado; e Esaú disse no seu coração: Chegar-se-ão os dias de luto de meu pai; e matarei a Jacó meu irmão" - (Gênesis 27:41)

A questão do patrimônio, dos bens, tem sido em nossa época um dos motivos que provocam rompimentos nos relacionamentos. No inicio do relacionamento usamos com frequência a frase: meu bem pra cá e meu bem pra lá!

Porém com o passar do tempo, depois de trabalharmos juntos, conquistarmos patrimônio e de vivermos diversas experiências, aquela humilde frase toma forma e agora olharemos ao nosso redor por outra perspectiva que são os bens. Em alguns relacionamentos a mudança do singular bem para o plural bens altera a forma de pensar anterior onde valorizávamos a pessoa e não as coisas.

Este pensamento sobre os bens toma conta da nossa vida e poderemos ser incomodados por uma visão totalmente capitalista: O que eu vou levar no momento em que eu romper meu relacionamento?

O próprio filho pródigo na divisão de patrimônio, de forma precoce, foi tomado por este pensamento quando fez seu pai dividir a herança em tempo não oportuno gerando assim um grande prejuízo financeiro e emocional em sua família, conforme escrito em Lucas 15.

Desta forma esta ideia não se aplica somente a questão de relacionamento conjugal como também no contexto familiar, na relação entre irmãos ou entre duas pessoas onde a importância do patrimônio prevalecerá.

Esta história bíblica onde o irmão mais novo de forma sagaz, com auxilio da sua mãe, passa a perna em seu irmão mais velho revela os efeitos colaterais da maldade: o filho mais novo precisou desaparecer do mapa, pois foi ameaçado de morte por seu irmão mais velho.

Ruptura no relacionamento familiar.

O mais velho diz: Você não perde por esperar, pois quando nosso Pai morrer, eu te matarei.

Simples assim, uma ameaça declarada. Este contexto de protegermos algumas pessoas por respeito à outra também acontece em nosso tempo. Quantos suportam outros por respeito a um terceiro? Porém quando a pessoa que controlava nossas ações partir, agiremos com nosso plano ardiloso e o colocaremos em prática.

O Irmão mais novo recebe a instrução tanto da mãe como de seu pai e vai morar num lugar distante muitos quilômetros para proteger sua vida.

Pendências não resolvidas pelo tempo.

Passaram-se vinte anos, porém a o efeito da vingança não é resolvido pelo passar do tempo.

Aprendemos que pendências têm que ser resolvidas. Atribuir o tempo como solução destas pendências não é correto mesmo sabendo que ele pode contribuir para nossa maturidade e aperfeiçoamento, desde que usamos princípios estabelecidos por Deus em sua Palavra voltados para os relacionamentos.

Depois de vinte anos Deus dá uma orientação para o irmão mais novo para que ele voltasse para sua família.  Ele teme, mas obedece. Na volta ele fica sabendo que seu irmão que o ameaçara tem um exército de 400 homens.

Nos vinte anos que ficou ausente ele prosperou de forma abundante e até demonstra a origem da sua riqueza quando faz a seguinte declaração: Quando eu passei para o lado de lá do Jordão era só eu, minha roupa e meu cajado. Agora estou voltando cheio, esposas, filhos, servas, servos e um grande patrimônio.

Usando o patrimônio para reconectar o relacionamento perdido.

Agora ele tem uma atitude louvável em usar o patrimônio como ferramenta para reatar, para reaproximar, para reconectar o relacionamento que havia sido destruído a duas décadas.

Parece uma inversão de atitude comparada a que vemos em nossos dias quando o patrimônio é o instrumento que esquentará as ações nos tribunais, fomentará as ações de litígios, é o motivo dos rompimentos nos relacionamentos. Preferimos perder as pessoas a perder o patrimônio. Se você já passou por algum momento em que restou uma herança familiar saberá com mais clareza do que estou falando.

Mas Jacó nos ensina que podemos usar o patrimônio para criar pontes, para reatar os relacionamentos numa proposta onde a pessoa é mais importante do que os bens.

Portanto reflita nesta lição: como eu e você temos usado o patrimônio, como temos administrado os bens que recebemos de forma tão graciosa das mãos de Deus, mesmo que precisamos trabalhar por longos anos, ao fim deste tempo teremos condição de criar  o desapego? Usamos os bens, o patrimônio para reatar relacionamentos?

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