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Estratégia e Planejamento

Quilha e Vela


Você já navegou em um barco a velas? Caso afirmativo, deve ter se impressionado com a habilidade com que o capitão da embarcação maneja as velas e a quilha. Por meio das velas, o barco é impulsionado e toma velocidade. Pela quilha, ele se estabiliza e é dirigido. Se faltar um dos dois, por mais competente que seja o capitão, a navegação estará comprometida. Toda embarcação precisa de vela e quilha. E, na vida, também precisamos desses dois elementos: o impulso e a estabilidade. Ninguém vive apenas de motivação e empolgação (impulso). É preciso também a estabilidade, a direção, que, por vezes, são ilustradas pela maturidade em tomadas de decisões e até mesmo por algumas paralisações diante de situações que merecem maior atenção.

Acredito que nossa sociedade tenta viver apenas de vela, de bons ventos, de empolgação. As pessoas, hoje, querem se sentir felizes e animadas o tempo inteiro. Querem colecionar vitórias sobre vitórias e, diante do menor obstáculo, já entram em uma situação emocional desfavorável. Já perdem a cabeça ou se deprimem. Já procuram alguma fórmula mágica para desfazer as lutas e vivenciar novamente uma vida aparentemente sem problemas.

Ninguém consegue se sentir feliz o tempo inteiro ou colecionar apenas troféus de vitória. Todo mundo vive dias difíceis, ruins e é derrotado uma série de vezes na vida. Há momentos em que, simplesmente, o vento não sopra, e as velas não se agitam. E é aí que entra em cena a quilha, que dá estabilidade à embarcação e permite que se dirija para alguma posição estratégica, tentando encontrar novamente os bons ventos.

A quilha é a sabedoria adquirida com o decorrer do tempo. O conhecimento teórico e o vivencial são que, no decorrer da vida, nos ajudam a resistir nos dias maus. A quilha é a segurança de que não seremos levados pelo vento, mas iremos para onde queremos, utilizando os ventos a nosso favor. A quilha é a certeza de que nossas emoções não superarão a razão e de que a positividade não pode ser o único fator a nos impulsionar.

Precisamos, obviamente, de emoções positivas, mas não podemos viver apenas por elas. Há de incluir-se na vida momentos difíceis, crises e problemas a serem resolvidos. E é aí que entra a necessidade de usarmos a quilha do equilíbrio emocional e da firmeza de caráter. Sobre isso vale a citação de Christine Carter: “Emoções positivas lançam vento em nossas velas, dando direção e impulsionando nossas ações. Emoções negativas são como a pesada quilha abaixo da linha da água. Ela mantém o equilíbrio do navio, e nos direciona.” (O ponto de equilíbrio: Como obter o máximo de resultados com o mínimo de esforço, Christine Carter). Abra as velas e aproveite o vento, mas não se esqueça de valorizar sua quilha e manter-se seguro por ela.

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