Artigos

Compartilhe

Estratégia e Planejamento

Tempo de decisão


O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. (Oséias 4:6)

Ao longo da Bíblia vemos Deus convocando aqueles a quem escolheu a tomarem decisões. Mais do que um simples concordar ou uma opinião própria, podemos perceber que a Sua vontade e Seu plano foram sendo estabelecidos a partir do momento em que profetas, reis, discípulos, apóstolos e homens comuns compreenderam o poder de mudança nesta palavra {decisão} através de uma equação simples, mas de resultados surpreendentes: conhecimento + posicionamento + ação = sabedoria para cumprir o chamado.

Ainda hoje, todos os dias, à toda hora, como cristãos e como igreja, continuamos a ser convocados a tomar decisões. A questão é: quais critérios estamos utilizando para escolhermos um caminho e, com certeza, afirmarmos que é o correto e que estamos nos movendo dentro do chamado ministerial que nos foi proposto?

Sem exceções, todas as nossas decisões são baseadas em dois critérios: objetivo e subjetivo. O critério objetivo compreende as quantificações, valores mensuráveis e externos ao indivíduo, como informações de conteúdo definido. O critério subjetivo está diretamente relacionado ao nosso lado intuitivo. É o chamado “feeling”, aquela percepção interior que nos dá a sensação de certeza e tem suas raízes em nosso conjunto de valores, em nossa história.

Quando somos questionados por outros, convocados por Deus a tomar decisão, ou nos vemos diante de um problema que exige uma solução imediata, automaticamente nossa capacidade de julgamento – objetiva e subjetiva – é acionada para produzir uma resposta.

Nem sempre, porém, conseguimos utilizar o critério adequado para decidir corretamente. Ou, mais precisamente, não temos a capacidade de equilibrar os argumentos objetivos e subjetivos que pesam contra ou a favor.

Por exemplo: se perguntamos a alguém como vai a sua saúde, quase sempre escutamos uma resposta subjetiva e vaga, baseado naquilo que a pessoa está sentindo ou vivendo no momento, do tipo “vai bem”. Na verdade, essa era a hora de respondermos o mais especificamente possível. Poderíamos dizer: “estou com o colesterol alto” ou, então, “estou carência de cálcio ou vitamina A”. Ou ainda poderíamos devolver a pergunta à pessoa e questioná-la: “sobre qual sistema especificamente você deseja saber? Circulatório, digestivo ou nervoso?” Avaliando desse modo, podemos afirmar que, ao mesmo tempo em que é tão simples também é tão difícil de responder.

Por outro lado, se perguntamos a um pai como vai o seu filho na escola, certamente escutaríamos sobre as notas, o bom comportamento e as disciplinas nas quais ele se destaca. Dificilmente uma pergunta como essa provocaria uma resposta que abordasse se o filho tem bom relacionamento com os colegas, se os professores gostam dele, etc.

Muitas vezes, as decisões da Igreja tem sido assim. Acabam emboladas entre a dimensão do objetivo e subjetivo, produzindo um resultado aquém do esperado. Mas, o mais comum, por falta de objetividade, acaba sendo a tendência a decisões intuitivas em detrimento das racionais.

O que fazer, então, quando nos perguntam “como vai sua Igreja?”

Nenhum dos dois extremos é bom. Nunca devemos utilizar somente o critério intuitivo ou o objetivo/racional. Precisamos responder com dados e fatos, mas respaldados pelo intuitivo e vice-versa.

Para alcançarmos essa maturidade, porém, precisamos aprender a localizar em qual fase nos encontramos e, assim, conseguir emitir um diagnóstico o mais perto possível do real ou, pelo menos, do provável. É possível classificar os estágios da seguinte maneira:

CAOS - são situações que não temos conhecimento necessário para falar sobre elas.

INFORMAÇÃO – conjunto de características, fatos ou rotinas, ainda que desconectos, mas que ajudam a jogar uma luz sobre a situação.

CONHECIMENTO - dados coletados e analisados que geram parâmetros comparativos repetidos.

SABEDORIA - conhecimento acumulado ao longo dos anos da vida que nos capacita a identificar uma situação com certeza.

O problema é que nós, que dirigimos ou participamos da direção das igrejas, geralmente queremos entrar direto na sabedoria e no conhecimento sem a base de informação. Pense bem e pelo menos você vai se lembrar de um exemplo de igreja que quis sair do caos pulando degraus direto para a sabedoria.

Quando nos perguntam “Como vai sua Igreja?”, para responder é preciso utilizar critérios diferentes. Uma Igreja não cumpre seu chamado apenas pelo crescimento numérico. Não podemos analisar apenas quantos novos membros entraram em um ano, mas também quantos saíram. Você saberia responder, por exemplo, se os membros de sua congregação possuem:

  • comprometimento com a visão;
  • maturidade espiritual;
  • relacionamento mútuo;
  • vitórias no caminhar com Cristo?

Para se utilizar esses critérios é preciso levantamentos e pesquisas que gerem conhecimento mais consistente. É hora de nos aprofundarmos mais nas nossas situações através de fatos e dados que nos façam enxergar a realidade em toda a sua complexidade e não isoladamente. A própria Palavra de Deus nos alerta quanto a esse respeito. Em Oséias 4:6 lemos: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento.”

À medida que conquistarmos esse conhecimento e a conseqüente sabedoria – sempre atestada pela Palavra e confirmação do Espírito Santo -, teremos maturidade para tomarmos decisões melhores.

Para chegarmos nesse nível é necessário pensar em critérios que produzam um diagnóstico preciso. Entre as ferramentas que nos auxiliam em tal tarefa, podemos citar pesquisas, levantamentos, relatórios, medições específicas, contínuas e abrangentes que vão fugir da visão restrita e numérica dos membros.

Assim, quando alguém nos perguntar outra vez “como vai a sua Igreja”, poderemos devolver-lhe a questão e indagá-lo: “Especificamente sobre qual área ou ministério o irmão deseja saber?” Mais ainda: poderemos testemunhar das escolhas que temos feito em Jesus e que têm produzido crescimento qualitativo e, acima de tudo, a confirmação do cumprimento do nosso chamado.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com.

Leia Também:
Missão integral na Igreja
Gente em busca da gente: procure a multidão?