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Estratégia e Planejamento

Alinhando os objetivos


Sem exceção, companhias abertas, empresas familiares, empresas estatais, sociedades de profissionais e organizações não governamentais têm relacionamentos com acionistas, emprestadores, doadores, fornecedores, clientes, governo, empregados e o público em geral.

Esses grupos têm objetivos vinculados àqueles relacionamentos e o alcance de seus objetivos depende fortemente da conduta dos dirigentes executivos das organizações.

Por terem os dirigentes uma posição privilegiada para defender os próprios interesses, manifesta-se o conflito e são necessárias medidas para reduzir os efeitos do conflito.

Estas medidas são os mecanismos de governança corporativa e têm de responder a duas perguntas:

1. Para qual interesse serão governadas as organizações?

2. O que fazer para conseguir o alinhamento de objetivos entre os grupos de interesse e os dirigentes executivos?

Propostas têm sido debatidas para as duas questões em quatro esferas: a lei, a esfera normativa através dos códigos de melhores práticas, o mercado e as pesquisas teórico-empíricas.

Os quatro casos serão discutidos adiante, mas ocorrência das esferas legal e normativa coloca duas outras questões:

3. É possível que o interesse dominante na governança seja determinado por partes não diretamente envolvidas? No caso, através das leis e dos códigos de melhores práticas?

4.Ou a existência das leis e códigos refletiria o consenso de que a perenidade das organizações seja do interesse do público em geral, e todos têm o direito e o dever de apresentar sugestões?

Esta última opção sugere identidade entre governança corporativa e ética. Tanto nos países capitalistas como nas economias em transição, por exemplo, a China, têm se tentado os quatro tipos de soluções. As leis são um elemento mais antigo em todos eles. Os códigos de melhores práticas apareceram em 1992 e, até 2004, já se conheciam 131 códigos produzidos em 44 países.

Iniciativas dos próprios mercados são mais escassas e ainda caminham devagar. As pesquisas teórico-empíricas são um fenômeno mais concentrado nas economias de padrão anglo-saxônico, como Estados Unidos e Reino Unido. De todo modo, a aplicação destes quatro tipos de propostas levantou uma última questão:

5. Os mecanismos produzem o alinhamento desejado?

Quer dizer, por causa das medidas de governança corporativa, os acionistas são beneficiados, os doadores são obedecidos na destinação de suas ofertas, a cadeia de negócios é preservada, os clientes são menos lesados ?

Os resultados têm sido frustrantes, independentemente do tipo de solução. Leis e recomendações são desobedecidas, empresas não se fazem suscetíveis aos mecanismos de mercado e as pesquisas não se mostram conclusivas, havendo ainda muitas dúvidas de que o movimento de governança possa ter a efetividade esperada.

Diante deste quadro, a grande questão para a Igreja e para as organizações cristãs é saber aprender com os erros dos outros e buscar uma base na Palavra para construir seus modelos. Esta é a proposta deste encontro na conferência de gestão ministerial.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com.

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