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Estratégia e Planejamento

Cuidados na formulação estratégica


Em continuidade à reflexão publicada anteriormente, o presente texto discorre sobre a realização da estratégia na prática, alertando para alguns cuidados importantes, sintetizando as principais conclusões no processo de formulação estratégica.

Qual a estratégia que sua organização seguiu realmente nos últimos cinco anos – não a que pretendia fazer, mas o que fez de fato?

Com essa pergunta em mente, fica fácil perceber que, na prática, a ESTRATÉGIA REALIZADA é formada por parte das estratégias pretendidas e pelas estratégias emergentes. As estratégias pretendidas, em parte são realizadas, tornando-se deliberadas, e em parte são abortadas. Elas focalizam o controle – certificando-se de que as intenções gerenciais são realizadas em ação. As estratégias emergentes são formadas a partir de uma série de providências tomadas uma a uma, que convergiram com o tempo para algum tipo de consistência ou padrão. Elas focalizam o aprendizado – vir a entender através da execução de ações regidas pelas intenções.  Enquanto as estratégias pretendidas são plano, as emergentes são padrão.

Poucas (ou nenhuma) estratégias são puramente deliberadas, assim como poucas são totalmente emergentes.

Quando temos sucesso na estratégia realizada por ações pretendidas, damos um viva à racionalidade. Quando nosso sucesso vem de ações emergentes, damos um viva à aprendizagem.

Cuidados da Formulação Estratégica

• QUEM PLANEJA? Um setor especializado em planejamento gera conflitos com quem está na linha de frente. Um órgão ligado ‘a direção, pode ter muita autoridade e pouca responsabilidade, além do desconforto dos demais órgãos da organização. O melhor é ter PLANEJADORES E EXECUTORES SIMULTÂNEOS.

• FADIGA DE PLANEJAR – Os planos não dão tão certos quanto imaginamos, pelas variáveis intervenientes não controladas e pelas previsões que não se realizam. Na maioria das organizações não se tem feedback – “ depois de planejar, voltamos a trabalhar” Assim, A EQUIPE DEVE ESTAR DEVIDAMENTE MOTIVADA AO PLANEJAMENTO, A PARTIR DA ALTA DIREÇÃO DA ORGANIZAÇÃO.

• PARÁLISE PELA ANÁLISE – Dados em excesso, muita informação e pouca decisão, mais informação como forma de não decidir, inércia provocada pela análise .... enfim, é bom que se saiba que nunca se tem toda a informação. O PAPEL DA INTUIÇÃO E DO DISCERNIMENTO DEVEM CONDUZIR ‘A DECISÕES.

• VIEZ DOS PLANEJADORES – O ano em curso será igual ao anterior... o segundo semestre será melhor que o primeiro ... o próximo ano será melhor que o atual ... dentro de dois anos será muito melhor ... três anos então ... enfim, muitas vezes não encaramos a realidade como ela está aparecendo no cenário. UM BOM PLANO DEVE CONSIDERAR ALTOS E BAIXOS.

• FALÁCIA DA PREDIÇÃO – Achar que sabe o que vai ocorrer é muita pretensão, muitas vezes uma atitude presunçosa dos planejadores. PLANOS CONSERVADORES TRARÃO MEDIDAS PRUDENTES.

• FALÁCIA DA IMPARCIALIDADE – Escolhida a estratégia, o sucesso será garantido ... o sistema adotado é infalível. É importante entender que as próprias estratégias competem entre si. TODA ESTRATÉGIA DEVE SER MEDIDA E AVALIADA POR SEUS RESULTADOS, E NÃO POR SUAS PREFERÊNCIAS.

• FALÁCIA DA FORMALIZAÇÃO – não espere resultados somente por adotar um processo rígido e fixo. Não existe sistema de planejamento melhor que as pessoas que o executarão. É PRECISO INTERNALIZAR, COMPREENDER E SINTETIZAR O QUE OCORRE NA ORGANIZAÇÃO.

Conclusões

Toda formulação estratégica tem pelo menos três grandes desafios. O primeiro é formar o plano e discernir o padrão. Na vida real, as estratégias devem formar bem como ser formuladas; exercer o controle fomentando o aprendizado. Deve ser uma constante simultânea o desenvolvimento de planos para o futuro e a extração dos padrões do passado.

O segundo é ter persistência, ou seja, não desviar totalmente das intenções, sabendo que não as atingiremos perfeitamente. Realização perfeita significaria previsão brilhante, incluindo efeitos dos eventos inesperados.

E, por fim, oportunismo. Pensar estrategicamente, além do plano, significa discernir e mobilizar-se rapidamente na direção das oportunidades quando elas aparecem.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com.

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